Quarta-feira, 1 de Fevereiro de 2012

IMAGINA O DEPUTADO RICARDO RODRIGUES A FAZER UMA ENTREVISTA?

Uma vez mais, a rádio consegue surpreender-me! A TSF tem um programa designado DIREITO DE PERGUNTA. Até aqui, tudo OK! A minha surpresa começou quando percebi que Ricardo Rodrigues (Deputado do PS) estava a assumir o papel de entrevistador a questionar Fernando Negrão (Deputado do PSD). Não posso deixar de caricaturar a imagem que, imediatamente, me assaltou o pensamento...Com a experiência acumulada (lembram-se dos gravadores dos jornalistas da Sábado?)... Certamente teria os gravadores e os microfones aluquetados ao seu próprio pulso, não fosse tornar-se vítima de um entrevistado mais irado...

Domingo, 30 de Outubro de 2011

A Desordem dos Médicos

Na linha de pensamento que tenho seguido, no que concerne à postura da Ordem dos Médicos (lobby Médico), passa a transcrever o texto de Nicolau Santos, no suplemento de Economia, do Jornal Expresso de 08 de Outubro de 2011:

A Desordem dos Médicos 

Depois de ser responsável por uma política absurdamente restritiva, que levou a que milhares de jovens portugueses não seguissem a profissão dos seus sonhos: depois de durante mais de três décadas ter prosseguido essa política para defender os interesses dos que já estavam na profissão; depois de ter conseguido que governos atrás de governos se vergassem a essa orientação contrária aos interesses dos país e de milhares de jovens; depois de, por causa disso, ter criado uma geração de jovens médicos de elevadíssima qualidade profissional mas, em muitos casos, com falhas na relação humana com o doente, depois de ter obrigado centenas de jovens a emigrar para a Roménia ou outros países para fazer o curso de medicina; depois de ser evidente os resultados desta política catastrófica, com o país a ter de importar médicos de várias proveniências; eis que a Ordem dos Médicos persiste na sua orientação de dificultar ao máximo a vinda de profissionais para o país, que colmatem a situação de 1,7 milhões de utentes que não dispõem de médicos de família.
Não estamos a falar de cirurgiões ou especialistas, mas sim de médicos de clínica geral. Pois mesmo assim a Ordem dos Médicos consegue inventar entraves burocráticos e fazer com que nove clínicos da Costa Rica estejam há quatro meses em Torres Vedras, a receber salário, pago pelos contribuintes, mas sem poderem exercer a profissão. O argumento é extraordinário: sem o acordo de reciprocidade, ou seja, que médicos portugueses também podem trabalhar na Costa Rica, a Ordem não aceita que aqueles nove clínicos exerçam a profissão em Portugal. Notem bem: não é por falta de habilitações, já devidamente comprovadas, nem por nada que impeça o exercício da medicina; mas sim porque ainda não há acordo de reciprocidade. Pergunta-se: quantos médicos portugueses manifestaram a intenção de ir trabalhar para a Costa Rica? A Ordem pode quantificar esta magna questão? Não, não pode. É só por uma questão de princípio. E não podem os médicos costa-riquenho começar a trabalhar e, entretanto, os dois Governos resolverem dentro de algum tempo o assunto? Como é óbvio a resposta é positiva para todos os portugueses - menos para a Ordem dos Médicos. De um ponto de vista burocrático, as justificações são excelentes, do ponto de vista dos interesses do país e dos utentes são absurdas. Mais uma vez, a Ordem dos Médicos mostra exuberantemente que defende os seus interesses mas não os do país nem os do cidadão. E mais uma vez o Estado se mostra impotente face à Ordem dos Médicos - como, infelizmente, perante outras corporações. Estamos fartos disto.  

Autor do texto: Nicolau Santos

Sábado, 8 de Outubro de 2011

Lobby Médico

 O acesso aos cursos de medicina foi dificultado este ano. Estes cursos continuam a ocupar o pódio das médias mais altas de acesso ao Ensino Superior. Este ano a média mais alta foi registada na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (186,3).
O acesso aos cursos é complicadíssimo! Concordo com a exigência, não com a intransigência, intransigência essa que, a breve trecho, estará também presente na hora do acesso à profissão. Consta que a Ordem se prepara para obstruir um pouco mais o já difícil percurso que os senhores doutores têm que obrigatoriamente percorrer.
O reduzido número de vagas e a média exigível são dois factores que têm contribuído para que putativos médicos, talvez com uma vocação, sejam impedidos de correr atrás do «sonho». Nem vale a pena dissertar sobre o valor de uma média no que concerne às futuras práticas…
O que me leva a escrever este artigo é o lobby exercido por esta classe profissional. Não me parece razoável que se continue a dificultar o acesso ao curso de medicina e à profissão quando há uma necessidade diagnosticada de médicos, especialmente médicos de saúde familiar. Esta necessidade tem forte incidência no interior do país e em zonas de cariz mais rural.
Um aluno português que vá estudar para o país vizinho pode pagar só em propinas entre 11 000 e 18 000 euros. Esta semana o jornal Público noticiava que um curso de medicina em alguns países do leste europeu pode atingir os 50 000 euros só em propinas. Junte-se a estas quantias as despesas de alojamento, alimentação, material didáctico… Todas estas receitas poderiam ficar nos cofres nacionais. Mas não… continuamos a preferir, a la longue, contratar médicos estrangeiros, com especial incidência em profissionais de origem sul-americana e do leste europeu. Não deixa de ser um paradoxo!  Mas o absurdo vinha relatado no Público ( 05 de Outubro de 2011), ou seja, foram contratados médicos costa-riquenhos «que chegaram em Maio para reforçar os centros de saúde. Desde então, recebem 2800 euros, com direito a casa. O único senão: não podem trabalhar.»
Parece que estamos à espera que o céu nos caia em cima!

Segunda-feira, 26 de Setembro de 2011

A Inadequação dos Currículos Escolares

Jurjo Torres Santomé, professor catedrático, na Universidade da Corunha, no seu livro «O Cavalo de Tróia da Cultura Escolar» (edidado pela Pedago) chama a atenção para as transformações que estão a ocorrer, a um ritmo celere, na actualidade.
Essas transformações devem levar a que Escola receba os sinais e adapte os seus currículos.
Em que medida as revoluções no conhecimento, na tecnologia, nas relações humanas e nos valores estão a ser absorvidas pelos sistemas educativos?
Na opinião de Jurjo Torres, especialista em Teoria Curricular, continua a verificar-se uma inadequação e descontextualização dos currículos em relação ao mundo real.
Penso que o mesmo se pode observar no sistema educativo português. Os currículos e os modelos de escolarização estão desajustados das dinâmicas societais contemporâneas. Urge uma reflexão atenta em torno da organização curricular, sob pena de a Escola continuar, progressivamente, a não ser de dar uma resposta cabal às novas solicitações. Lembro que a Escola já não é o principal vector de aquisição de conhecimento. As aprendizagens não formais e informais ganham cada vez mais peso na construção da identidade das crianças e jovens. 

    

Segunda-feira, 12 de Setembro de 2011

O Congresso do PS


Sei que pode considerar estranho o que vou dizer, mas vou escrever: concordo com Joana Amaral Dias, a «Ksarina» do Bloco de Esquerda.  Eis a sua afirmação: «Pouco entusiasmo se passeia em Braga. Este congresso [do PS] serve a consagração do líder e debate de ideias é mentira.» (Correio da Manhã, citado no Público).    
Quanto à consagração do líder não vou tecer considerações porque as evidências foram claras e são habituais nestes eventos partidários.
No que concerne ao debate de ideias, apetece-me dizer qualquer coisa. Ora, aqui vai! Ideias para o futuro do país, não ouvi nem uma com algum substrato que para que possa ser levada a sério. É grave! É especialmente grave quando o líder há muito tempo que se perfilava (mas não preparava) para ser líder do principal partido da oposição. Pior e mais preocupante foi a amnésia colectiva que parece ter contagiado os congressistas que subiram ao palanque para discursar. A sensação com que fiquei é que o efeito da multidão em «festa» não permitiu uma reflexão atenta daquilo que foram os últimos anos de governação do partido socialista, sob a batuta do «engenheiro» Sócrates.
Ninguém reconheceu um erro, talvez não compreendam que o erro faz parte da aprendizagem. Neste sentido, talvez tenha sido desperdiçado um bom momento para a pedagogia necessária para a definição de estratégias futuras.
Confesso, esperava um pouco mais. Mas quando o «frisson» foi uma troca de cadeiras, ou de lugares, no plateau da TVI ou a «farpa» de Manuel Alegre a Mário Soares: «Gostei mais de ver o ver aqui do que na Universidade de Verão do PSD.»… está tudo dito!   

Domingo, 11 de Setembro de 2011

FotoPres'09, Obra Social ''la Caixa''



Uma exposição que tive a oportunidade de observar, em Santiago de Compostela. É impossível ficar indiferente. São retratadas várias situações em que os rostos reflectem a violência do homem.  

Juan José de Haro: redes sociales...

Endividamento na Constituição


Muitas são as vozes que se erguem contra a alteração à constituição. São invocados motivos como a aceitação da incapacidade dos políticos para a governação, as limitações que seriam impostas aos governos em termos de política fiscal, a afectação do Estado de Bem-estar mediante «machadadas» em áreas sensíveis como a saúde, as pensões, a educação…
Juergen Donges, economista hipano-alemão, é muito claro, em entrevista ao El País: “Os Governos não ficam atados. Só têm que estabelecer prioridades nas despesas. Se um governo quer muita política social pode fazê-la, mas terá que reconsiderar outras alternativas e cortar aí nas despesas, por exemplo, em matéria de defesa.”  
Ora muito bem, parece-me que governar é tomar opções, decidir. Neste sentido, o orçamento, maior ou menor, deve ser algo real e não uma utopia. É com base no que temos, não no que julgamos ou que queremos ter, que a governação deve enquadrar as suas políticas.    

Quinta-feira, 18 de Agosto de 2011

GOSTO DE PORTUGAL

Poderá o leitor pensar que este «Gosto de Portugal» resulta da vitória da nossa selecção de Sub-20, por 2-0, contra a França, garantindo o lugar na Final do Campeonato do Mundo. Logicamente, este feito alegrou-me e estimulou-me para escrever este texto, mesmo tendo em conta o adiantado da hora.
 Quem me conhece sabe que gosto muito do nosso país e da minha cidade (Viseu). Como, em conversas de café, refiro amiudadamente só me mudarei de cidade, caso a vida a tal me obrigue.
O que me leva, contudo, a escrever sobre esta temática é a minha actual estadia na Alemanha, em Estugarda. São várias as pessoas, de múltiplas nacionalidades, que me dizem, em bom português: «Gosto de Portugal». Uma alemã, um alemão, uma brasileira e um marroquino.
Todos os elogios parecem ser parcos para descreverem o quanto gostam do nosso país e da nossa gente. Sabe muito bem ouvir o elogio! Confesso que sabe! Faz-nos sentir ainda mais orgulho na nossa origem.    
Por vezes, fico com a sensação que só nós, os portugueses, é que vivemos mergulhados e amordaçados pelo fado e anestesiados pelo ecoar das palavras do «Velho do Restelo». Há como que uma propensão para a autofagia do povo português.   
Logicamente, vivemos momentos difíceis e a «nuvem negra» paira sobre nós. Contudo, acredito que um país como o nosso, com a nossa história, irá, com o contributo de todos, superar as dificuldades e restabelecer o orgulho nacional, desde logo, deixando no pretérito a actual condição de «protectorado».
Aconselho, desde já, a leitura do livro de Barry Hatton: «Os Portugueses»

Quarta-feira, 10 de Agosto de 2011

Londres: reivindicar sim, roubar e vandalizar não!


Os movimentos de cidadãos, bem como as manifestações, têm valor e devem ser encaradas como modos de expressão valiosos e que podem contribuir para o fortalecimento da democracia.   
Em texto anterior, já elogiei o activismo militante dos cidadãos alemães. Um exemplo claro é a luta que tem sido travada, em Stuttgart, contra a construção de uma nova estação ferroviária – Stuutgart 21.
Fazer ouvir as vozes é um direito inalienável que assiste a cada cidadão.
Todavia, há limites que devem ser bem definidos à partida.
Manifestar não deve rimar com ROUBAR E VANDALIZAR!
A violência gera, em regra, violência. Temos assistido a várias manifestações (Grécia, Espanha, França, Inglaterra) que, independentemente das razões que as suportam, perdem toda a credibilidade e legitimidade. Os incidentes registados em Atenas, os protagonizados, em Madrid, pelo M-15 ou, os que temos visto, através dos media, em Londres são intoleráveis. Uma manifestação deve ser pacífica, organizada e pugnar por objectivos concretos. Quando estes movimentos atingem níveis de violência, que quase fazem lembrar cenários de «guerrilha urbana», devem ser enfrentados com «mão pesada» por parte das autoridades policiais, sob pena de podermos observar, como se de um filme se tratasse, bairros a serem saqueados, incendiados e cenas de uma violência atroz.