Em Espanha, a violência machista, segundo o jornal EL PAÍS (03-01-2009), origina más de 400 denúncias por dia. Em 2008, no país vizinho, terão ocorrido 70 mortes causadas pela violência de género. Os dados oficiais são sempre, regra geral, inferiores às situações que efectivamente ocorrem. Muitas vítimas nunca chegam a apresentar queixa, pelos mais distintos motivos, e quando o fazem, numa fase mais adiantada do processo acabam por retirá-la. Certo é que muitas das situações anónimas de violência subsistem por detrás de silêncios que, não raras vezes, levam ao «cemitério».Um factor que nos deve também preocupar é a impunidade dos agressores. De acordo com o Público (22.02.2009) a violência doméstica é um crime (quase) sem castigo. Os casos que terminam na barra dos tribunais são uma raridade. O busílis da questão, na minha óptica, reside no facto de este crime, muitas vezes, não ser entendido como tal. Aida vinga, em boa medida, a máxima «Entre marido e mulher, ninguém deve meter a colher». A sensibilização da sociedade, para este crime público, ainda não foi conseguida.
Para reflectirmos, deixo um número: 48.
Se, quando iniciei este texto, o número 70, dos nossos vizinhos espanhóis, me deixou apreensivo, pior fico com os dados avançados pelo Diário de Notícias (07-01-2009): em 2008 pelo menos, 45 mulheres foram mortas pelos companheiros ou "ex".
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