Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2009

Violência de género

Em Espanha, a violência machista, segundo o jornal EL PAÍS (03-01-2009), origina más de 400 denúncias por dia. Em 2008, no país vizinho, terão ocorrido 70 mortes causadas pela violência de género. Os dados oficiais são sempre, regra geral, inferiores às situações que efectivamente ocorrem. Muitas vítimas nunca chegam a apresentar queixa, pelos mais distintos motivos, e quando o fazem, numa fase mais adiantada do processo acabam por retirá-la. Certo é que muitas das situações anónimas de violência subsistem por detrás de silêncios que, não raras vezes, levam ao «cemitério».
Um factor que nos deve também preocupar é a impunidade dos agressores. De acordo com o Público (22.02.2009) a violência doméstica é um crime (quase) sem castigo. Os casos que terminam na barra dos tribunais são uma raridade. O busílis da questão, na minha óptica, reside no facto de este crime, muitas vezes, não ser entendido como tal. Aida vinga, em boa medida, a máxima «Entre marido e mulher, ninguém deve meter a colher». A sensibilização da sociedade, para este crime público, ainda não foi conseguida.
Para reflectirmos, deixo um número: 48.
Se, quando iniciei este texto, o número 70, dos nossos vizinhos espanhóis, me deixou apreensivo, pior fico com os dados avançados pelo Diário de Notícias (07-01-2009): em 2008 pelo menos, 45 mulheres foram mortas pelos companheiros ou "ex".

Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009

Novidade formativa: Curso Profissional de «Dona Elvira»

Rui Moreira dá-nos hoje conta, no jornal Público, de vários exemplos de «Portugal no seu melhor». Passa a citar o que mais me interessou:
“É o que acontece nas escolas, onde se deixou de avaliar os alunos para se avaliar os professores. É o que acontece com a fantasiosa formação profissional onde se propõe o Curso de Jogador de Futebol, que garante a equivalência escolar ao 9.º ano a candidatos com o 6.º ou 7.º ano de escolaridade, sem que estes precisem, sequer, de se federar ou ter jeito para chutar a bola.”
O paradigma do facilitismo vingou, vinga e, para mal dos nossos pecados, vingará no nosso país. O insucesso é combatido com doses obscenas de estatísticas fraudulentas. A exigência, o mérito e o trabalho são vocábulos em vias de extinção nas nossas escolas.
Os cursos profissionais surgem em cada esquina, melhor dizendo em cada escola, em quantidades normalmente inversamente proporcionais às suas qualidades. Desculpem-me todos aqueles que pugnam por um ensino profissional de qualidade. Também sou apologista do fomento de cursos de formação profissional, mas não nos moldes em que estes se vêm implementando. Não posso deixar de mostrar a minha indignação pelo quase aniquilamento do pensamento filosófico, da sabedoria literária e de outros saberes igualmente desprezados pelos doutos da educação. No sábado passado, estive na «Qulaific@» - Feira de Educação, Formação, Juventude e emprego» – na EXPONOR. Bem…a desilusão que se apoderou de mim foi infinitamente aterradora. Não quero exagerar, mas cerca de 80% dos stands eram dedicados a cursos profissionais, centros de certificação de competências e havia até um espaço dedicado ao último «grito» do governo, ou seja, o «Magalhães». Uma pobreza franciscana!!!! Novidades???? Zero, bola, nicles, népia….
Deixo, aqui do quentinho do meu leito, um apelo: crie-se um curso profissional de Dona Elvira (um clássico no que concerne às sempre desejadas máquinas de flippers). Garanto, desde já, inúmeras inscrições para este curso e o respectivo financiamento para as escolas que ousarem ser pioneiras. Tendo em conta que já existe o Curso de Futebol…talvez esta opção possa rivalizar quanto ao número de inscritos.

Domingo, 15 de Fevereiro de 2009

World Press Photo - a foto vencedora

O americano Anthony Suau ganhou o prêmio World Press Photo 2008 com uma imagem sobre a crise do 'subprime', do mercado hipotecário dos Estados Unidos.

Domingo, 8 de Fevereiro de 2009

Mão de ferro e xenófoba

Robert kagan, no seu mais recente livro «O Regresso da História e o Fim dos Sonhos», deixa vincada a ideia de que as autocracias podem estar a chegar e em força.
Bem sei que Kagan é um neoconservador e foi uma peça influente no paradigma belicista de Bush. O que me preocupa é que este sinal de alarme pode ter algum fundo de verdade. A crise alastra a um ritmo galopante provocando instabilidade social. Os sinais de ruptura dos equilíbrios societais polvilham o globo.
Países com um passado bem sucedido, no que concerne à integração de imigrantes, têm surgido gradualmente focos de maior volubilidade. Atente-se no caso inglês, já se pedem «Trabalhos ingleses para trabalhadores ingleses». A crise lança o desassossego nas relações humanas, alavancando revoltas e manifestações mais ou menos violentas.
Em Portugal a insegurança é notória, com especial enfoque nas grandes cidades.
O medo, reza a história, por vezes, leva ao anseio de segurança. Segurança essa que pode ser prometida por putativos líderes que prometem firmeza e controlo apertado das massas. Deste ponto ao estabelecimento de regimes autocráticos vai apenas um pequeno passo.

Terça-feira, 3 de Fevereiro de 2009

País do Eusébio, da Amália, do CR7 e do «Pinóquio»


No dia 19 de Janeiro de 2009, Paulo Azevedo assegurou que não haveria despedimentos na Sonae. Tendo em conta o cenário de crise que vivenciamos, esta seria uma notícia fantástica. Pois é…seria…mas ao que parece «palavras leva-as o vento»…
Hoje, ficámos a saber, através dos media que a Sonae Indústria estuda encerrar duas fábricas em França. O leitor incauto poderá estar a pensar que o senhor Azevedo se estava a referir, aquando da promessa, ao nosso país. O problema é que, para além disso, a Sonae Indústria informou há duas semanas que vai proceder ao despedimento colectivo de 42 dos 130 trabalhadores das fábricas da Móvelpartes em Paredes e Alcanede para «garantir a viabilidade» da empresa.
Como noutras áreas, a verdade de hoje é a grande mentira de amanhã.
Um dia destes, começaremos a ser conhecidos como o país da Amália, do Eusébio, do Mourinho, do CR7 e do «Pinóquio».