Talvez inspirado no livro, ou no filme, o Diabo Veste Prada, Catarina Pestana, directora da empresa de comunicação DASEIN, resolveu criar um sapato gigante e vermelho, igual aos que Bento XVI calça, e colocá-lo em cima de uma viatura que desfilará pelas artérias lisboetas para chamar a atenção para a riqueza descomunal da Igreja.
Se o Papa veste ou calça Prada, não sei, mas sei que a alta-costura não lhe causa alergia com toda a certeza. Os órgãos de comunicação do Vaticano têm feito um esforço para contrariar a ideia de que esta marca de luxo possa servir de adereço a sua santidade. Talvez, neste assunto, digam verdade.
Contudo, uma coisa é certa, a opulência da Igreja é um facto indesmentível. Já estive no Vaticano e testemunhei in loco a riqueza que por ali se espalha em cada recanto. Mas, nem precisamos de ir mais para tão longe! Basta observarmos atentamente a nova catedral, erigida no Santuário de Fátima, para concluirmos que a riqueza patrimonial da Igreja é grandiosa e que, na minha óptica, não é optimizada e aplicada em causas humanitárias, mas sim em objectos valiosíssimos…
O que se vai passar com a vida de Bento XVI ao nosso país, parece-me bem exemplificativo do que atrás enuncio. Ora reflictamos, será possível que um país endividado até ao tutano, com sérias dificuldades em pagar os juros das dívidas, que não produz o que gasta e que, a cada dia, se endivida mais à custa do trabalho dos outros possa prepara-se para gatar somas avultadas para a recepção do chefe da Igreja? Para que se perceba, do que estou a falar, enumero alguns dos gastos (nem sequer são os principais): construção do altar para a celebração da eucaristia – 200 000,00€; tarjas publicitárias – 220 000,00€; Helicópteros e F 16 (escoltam o avião papal) – 40 000,00€ / hora… Não esqueçamos que o microfone, a utilizar na celebração, é revestido a ouro, talvez para «dourar a pílula», ou seja, para poder dourar o discurso que poderá ser acinzentado, especialmente se o vulcão islandês teimar em «arrotar» as cinzas malévolas. O fumo branco costuma ser o catalisador da mensagem Habemos Papa. Reze-se para que este fumo, um poço mais escurecido, não seja sinónimo de No Habemos Papa, em Portugal.
Entre a vitória do SLB no campeonato e a vinda de Bento XVI a Portugal muitas cortinas de fumo se vão erigindo, e não são expelidas por vulcões, espero que as cinzas do Eyjafjallajokull não sejam o presságio do futuro, cada vez mais negro, que se adivinha para o nosso país. Quando se diz que estamos a correr um perigo similar ao da Grécia, eu arrepio-me! A sério, arrepio-me mesmo. Não nos esqueçamos que o nosso Primeiro tem algo de helénico o seu nome: Sócrates. É lamentável que, aparentemente, só lhe tenha herdado o nome…