Terça-feira, 27 de Julho de 2010

SUGESTÃO DE LEITURA


O CREPÚSCULO DO DEVER - A ÉTICA INDOLOR DOS NOVOS TEMPOS DEMOCRÁTICOS

AUTOR - GILLES LIPOVETSKY

EDITORA - D. QUIXOTE

P. - 320

Domingo, 25 de Julho de 2010

«Obviamente demiti-me»

Começo por informar que não concordo com o título dado pelo autor do artigo - «Obviamente demiti-me» PÚBLICO (16/07/2010). É raro alguém demitir-se quando está ao serviço do Estado e em cargos de relevância. Contudo, o título, por si só, já diz muito da personalidade do seu autor: Paulo Trigo Pereira (PTP).

Tendo em consideração o reordenamento da rede escolar foi criado o Observatório das Políticas Locais da Educação (OPLE) com o objectivo de acompanhar o processo de descentralização de competências para os municípios e para ponderar o que deve ser descentralizado e o que deve ser desconcentrado. PTP, professor do ISEG, foi convidado pela anterior Ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, para, com Jorge Martins conceber o OPLE. PTP aceitou o convite, impondo apenas uma condição: os centros de investigação e todos os outros investigadores deveriam ter acesso aos dados base. Parece-me que este requisito é lógico. Como é que pode ser realizado o acompanhamento de um processo sem poder aceder aos dados? Na verdade, os dados solicitados nunca foram facultados. Alguém acredita nisto? Afinal de contas, para que é que se cria um Observatório? Não será para aceder aos dados, trabalhá-los, analisá-los, compará-los, reflectir e retirar conclusões que permitam putativas soluções para a melhoria da educação?

A ideia com que se fica é que mais do que trabalho sério, pretende-se atirar areias para os olhos das pessoas. Talvez o Observatório tenha sido constituído apenas para silenciar algumas vozes críticas e passar a ideia de que o processo de reordenamento escolar é sustentado em bases sólidas. O melhor desempenho do OPLE seria, imagino eu, a inacção. Assim, não haveria necessidade alguma de «meter a mão» na mão massa, ou seja, nos dados.

Paulo Trigo Pereira teve coragem e deve ser um exemplo a seguir. Estranha-se que não tenha sido seguido por outros. Os outros talvez se tenham ajustado ao compasso, devagar… devagarinho… parados… Dados? Só se forem os do póquer.

Segunda-feira, 19 de Julho de 2010

«Cheques bebé» são uma não solução


O prometido «cheque bebé» sinónimo de conta futura foi apresentado com pompa e circunstancia há alguns meses e consta do Programa do Governo. Em que consiste o putativo benefício? As crianças que nascessem teriam direito ao depósito de um «cheque bebé» (bem pequenino…) de 200 euros que pode ser utilizado quando for celebrado o décimo oitavo aniversário. Demagogia quanto baste! Não vos parece? Agora, após os ataques cerados da oposição, o ministro da presidência vem dizer-nos que o programa está a ser avaliado devido aos constrangimentos orçamentais.

Não se percebeu que a taxa de natalidade só voltará a subir quando forem criadas condições que permitam a conciliação entre a vida familiar e a profissional. As famílias devem ser apoiadas, mas não com uns míseros euros. Será que alguém imagina que uma família decide ter um filho porque passados dezoito anos este beneficiará de 2 centenas de euros?

Domingo, 18 de Julho de 2010

DIA NELSON MANDELA

Notas quentes - «As regras do Vaticano»

O Vaticano, demonstrando coragem e vontade de resolver os problemas que têm assombrado a instituição, reviu as regras da lei canónica para tornar mais fácil a punição de padres que abusaram sexualmente de menores. Até aqui, os meus aplausos poderão ser tributados a este passo da Igreja. Mas, infelizmente, o meu aplauso é ténue e célere porque não é possível, ainda que não se aceite a ordenação de mulheres, colocar ao mesmo nível os sacerdotes pedófilos a ordenação de mulheres como padres. Onde está o bom senso? Terá sido um lapso?

Sábado, 17 de Julho de 2010

Rosa (Mia) - CAPELLA FLAMENCA

Sugestão: «TEREZÍN» de Blaufuks


O livro de Daniel Blaufuks, TEREZÍN, é "um aviso sobre o presente".

Atenção, segundo o fotógrafo, "As imagens mentem". 

Notas quentes - O às de Portas

Paulo Portas, líder do CDS-PP, tira mais um coelho da sua infinita cartola política. Desta vez, surpreendeu a plateia ao desafiar Sócrates a abandonar o Governo e a liderança do partido, tendo em especial linha de conta o seu descrédito. Efectivamente, o primeiro-ministro já não é solução para o problema, representa, isso sim, uma parte generosa dos problemas que se vivem em Portugal.

A ficção de John Berkey

Terça-feira, 6 de Julho de 2010

O gesso é Preto?

Já imaginou gesso preto? É uma ideia, no mínimo, insólita… Bem, quando o gesso é utilizado durante muito tempo, por vezes, não fica preto, mas quase. A perda da textura alva torna-se menos visível quando o engessado pede a amigos e familiares que deixem dedicatórias. Estes pedidos sempre me fizeram alguma confusão, uma vez que não consigo compreender que alguém queira guardar na memória um mau momento. Presumo que a utilização de gesso, no corpo humano, resulte de uma lesão dolorosa para a vítima. Contudo, há sempre excepções que confirmam a regra, ou seja, pode alguém ser engessado sem ter contraído uma lesão, podendo afirmar-se, metaforicamente, que se trata de gesso «preto», no sentido de algo fraudulento, tal como se diz de quem trabalha ilegalmente que «trabalha à preto». Parece que foi o que aconteceu com o deputado do PSD, António «Preto». O gesso do Preto era preto. Para que não se efectivasse a recolha de assinaturas para que tinha sido convocado pela Polícia Judiciária, o senhor Preto viu o seu braço engessado pelo cunhado (médico) numa situação em que se procurava fazer prova da putativa falsificação da assinatura da mulher. A Ordem condenou o médico de Preto com a pena se censura. Lamentavelmente, o senhor Preto parece não ter sido censurado por ninguém e quanto a auto-censura mais vale esperarmos sentados. Mais um episódio triste que agita as águas lodacentas da política nacional.