Terça-feira, 31 de Agosto de 2010

O Município da Vidigueira está de parabéns!

Declaração de interesses, recentemente abracei a um projecto político.
Todavia, nunca deixarei de elogiar ou de criticar o que me parecer pertinente.
Não sei de que partido será o presidente da Câmara Municipal da Vidigueira, nem me parece que seja relevante para o caso. Este Município tem há alguns anos uma iniciativa relevante que deveria ser replicada nos restantes municípios. Anualmente são ofertados aos alunos do 1.º e 2.º Ciclos do Ensino Básico os manuais escolares a todos os alunos. De acordo com as declarações do presidente da autarquia, pretendem, já no próximo ano lectivo, alargar o projecto ao 3.º Ciclo do Ensino Básico.

São estas iniciativas que ajudam efectivamente os cidadãos, que ajudam as famílias, que ajudam as crianças do nosso país. Só não entendo que motivos estarão subjacentes à não replicação desta medida por parte de mais autarquias. Talvez um dos factores seja a lógica subjacente à gestão autárquica. Não sendo um especialista em economia ou em gestão, basta pensar numa das frases proferida pelo presidente, Manuel Narra: «Este projecto vai continuar, nem que tenhamos que extinguir alguma festividade.»

Ora aqui está. Todos os anos são delapidados do erário público milhões de euros em festas, feiras disto e daquilo, romarias… Enfim, uma infinidade de efemérides que podem e devem ser assinaladas, mas não como se da última festa se tratasse, «torrando» à grande.

Quinta-feira, 26 de Agosto de 2010

Stuttgart 21? Não!!!



Durante a tarde fui dar uma pequena corrida pelo Parque principal de Stuttgart para tentar melhorar um pouco, embora precise de melhorar muito, a minha condição física.

O parque onde costumo exercitar-me liga, mais ou menos, a zona onde vivem os meus familiares ao centro da cidade, ou seja, a Haupt – Bahnhof. Qual não é a minha surpresa quando me deparo com uma enorme manifestação pacífica, mas bastante interventiva. Qual o motivo? Foi a questão que fui cogitando ao som dos decibéis debitados pelo meu MP3. Aproximei-me e verifique que os manifestantes se insurgiam contra Stuttgart 21.

Stuttgart 21 é um mega projecto que visa dotar a cidade, com cerca de 600 000 habitantes, pertencente à região de Baden-Württemberg, de novas infra-estruturas que visam modernizar e projectar a cidade para o progresso. Um dos emblemas deste projecto é a construção de uma nova estação de comboio que privilegia, logicamente, as linhas de alta velocidade. Como em qualquer outro projecto, de maior ou menor envergadura, há sempre prós e contras.

Não vou opinar se sobre o assunto por que não possuo elementos que me permitam efectuar uma análise séria tendo em vista uma tomada de posição sustentada.

Importa-me, sobretudo, realçar o exercício de cidadania, de intervenção na discussão da «coisa pública» a que pude assistir. As pessoas, efectivamente, pugnam por valores em que acreditam. Um dos principais motivos do protesto é a parcial destruição do maravilhoso espaço verde, pulmão da cidade, onde me encontrava à hora da «manife».

Ruborizei, ainda mais, porque já estava a arfar com o esforço encetado, e pensei: «talvez não esteja na actividade certa, não deveria estar a correr, mas talvez a manifestar-me. Será que no próximo verão ainda poderei usufruir deste magnífico parque?»

Quarta-feira, 25 de Agosto de 2010

Chips de matrícula vão ser pagos

A nova lei redigida, após entendimento entre PS e PSD, para regulamentar a cobrança de portagens, nas ainda auto-estradas sem custos para o utilizador (SCUT), trouxe um brinde surpresa para os utilizadores.

Não poderia haver bolo sem cereja no topo. Os pasteleiros rosa estavam com algumas dificuldades para darem por concluído o doce nacional. Reuniram com os «craques» laranja da decoração de bolos e conseguiram fazer um belo revestimento que ainda teve direito a cereja. A cereja é o facto da putativa gratuitidade dos dispositivos ter, também ela, sido revogada. Cada utilizador terá que pagar cerca de 32 euros pelo dispositivo. Utilizador pagador? Concordo com o princípio. Contudo, entendo que o automobilista está a ser «massacrado» com cobranças e mais cobranças. Ao adquirir o carro paga o imposto, paga o imposto de circulação, paga portagens, tem que pagar o dispositivo que permite a cobrança do mesmo, pagar estacionamentos... Não faltará muito para que se pague para entrar num stand, para abrir o vidro, para virar à direita, para virar à esquerda, para ligar as luzes, para utilizar o limpa vidros…

Penso que se está a atingir o limite de sobrecarga financeira dos automobilistas.

Deve demover-se a utilização do veículo automóvel devido aos efeitos nocivos que causa no ambiente. Assim, o que justifica que quem utiliza veículos não poluentes, por exemplo bicicleta, não veja o seu investimento ecológico dedutível nos seus impostos? Incongruências…

Segunda-feira, 23 de Agosto de 2010

Petição Acabe com o Tráfico Sexual de Crianças e Jovens


A empresa The Body Shop e a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima lançaram em Portugal a Petição para Acabar com o Tráfico Sexual de Crianças e Jovens. Esta iniciativa enquadra-se numa campanha global, desenvolvida internacionalmente com a ECPAT (End Child Prostitution, Child Pornography and Trafficking of Children for Sexual Purposes), e que tem como parceiro nacional a APAV, que presta apoio especializado a este tipo de vítimas através da UAVIDRE - Unidade de Apoio à Vítima Imigrante e de Discriminação Racial ou Étnica.

A petição poderá ser assinada online:

Terça-feira, 17 de Agosto de 2010

Quando é que se vão embora?

Nunca me hei-de esquecer! Há cerca de quatro anos atrás, passei férias no sul de Espanha, em Dénia, perto de Valência.

A reserva foi feita através de operadores alemães (a minha família reside nesse país) que têm uma enorme cota de mercado na ocupação hoteleira da região. A maior parte dos frequentadores das maravilhosas praias de águas «calientes» são de origem germânica.

Habitualmente, passavam vendedores locais de enchidos, queijos e outras iguarias a preço proibitivo para a carteira dos «tugas» (nós). Queijo a 40,00€ / kl ou presunto a 50,00€ / kl são produtos proibitivos, excepto para os numerosos alemães endinheirados que compunham a vizinhança. Ao terceiro dia, os vendedores, ao perceberem que não éramos potenciais compradores dos seus produtos questionaram a nossa origem e, em seguida, quando é que partíamos. Para umas feris tranquilas dá, mas para compras a preços pornográficos não dá…

Ao ler o Expresso (14 de Agosto de 2010) lembrei-me logo do episódio que vivenciei. O título do artigo é, desde logo elucidativo: «O Algarve está cheio. Os bolsos não.»

Este ano o Algarve está com uma boa taxa de ocupação hoteleira, de acordo com os operadores turísticos da região. O problema reside nos «ocupas», são maioritariamente «tugas» que «Não querem o couvert, dispensam a sobremesa e trocam o vinho pelo jarro da casa».

Vamos de férias, mas a crise limita, cada vez mais, os orçamentos das famílias portuguesas. Tenta-se poupar ao máximo, desde as refeições até às embarcações. Registe-se que há cada vez menos barcos de 6 a 10 metros na marina de Vilamoura, ou seja, as famílias de classe média, média alta viram-se obrigados a abdicar dos pequenos luxos. Em contraste, o número de embarcações de 20 a 40 metros não para de aumentar. De acordo com a directora da Marina, se houvesse espaço para mais «fortunas» náuticas, mais haveria na marina.

Em síntese, não sendo uma novidade, o fosso entre ricos e pobres cava-se a uma velocidade vertiginosa.

Segunda-feira, 16 de Agosto de 2010

MORRER SOZINHO

Hélder Amaral (HA), Deputado do CDS-PP, escreveu nas páginas do semanário Jornal do Centro (09/07/2010) um artigo intitulado «Morrer sozinho» de cortar a respiração. HA chamava a atenção dos leitores para o aumento do número de pessoas que morrem sozinhas, abandonadas pela família e, em determinadas situações igualmente desamparadas pelo Estado.

A solidão e o isolamento dos idosos são factores de risco que podem ser apontados como formas agudas de mau trato aos idosos. Já escrevi alguns textos em torno desta problemática que deve ser encarada com seriedade pelo governo e também pelas autarquias que conhecem melhor a realidade dos seus concidadãos e poderão, em parceria com as Instituições de Solidariedade Social e Segurança Social, colocar em prática dispositivos de intervenção que combatam este flagelo.

Já alertei também para os designados «casos sociais» que proliferam nos nossos hospitais, idosos que aí são deixados e abandonados por familiares.

Vários órgãos de comunicação, no decorrer da semana que findou, noticiaram a preocupação do governo japonês com o desaparecimento de dezenas de idosos com mais de um século de vida. O Japão é o país que tem mais centenários no mundo, 41 mil, e orgulha–se do respeito pelos idosos. O alerta soou com a descoberta de um corpo mumificado do idoso putativamente mais velho, com 111 anos. O homem teria morrido há mais de 30 anos. Foi dado início a um processo de procura de todos os cidadãos idosos desaparecidos. A causa para esta triste realidade é, segundo o primeiro-ministro, Naoto Kan, das relações entre parentes que estão cada vez mais distantes.

Entre nós, os casos de idosos que morrem sozinhos estão também a aumentar. O Expresso (14 de Agosto de 2010) dá-nos conta de que os «cadáveres abandonados em Lisboa são cada vez mais de idosos (habitualmente o maior número de cadáveres e de toxicodependentes e de sem-abrigo) que morrem sós. Ficam meses na morgue à espera da família, até que a Misericórdia os sepulte».

A investigação jornalística, plasmada nas páginas 24 e 25 do Expresso, deve ser lida com atenção e, para o bem do Homem, ser objecto de análise por parte dos órgãos decisores que terão que urgentemente tomar medidas nesta área.

O mundo ao contrário de Amy Casey


Fonte: OBVIUS

Quinta-feira, 12 de Agosto de 2010

Vamos acabar com o tráfico sexual!

Assine a petição para o Primeiro Ministro Putin e o Presidente Medvedev!

Quanto mais pessoas assinarem esta campanha, mas forte será o nosso apelo. Por favor, divulgue esta campanha encaminhando o alerta abaixo para os seus amigos e familiares:


Para assinar a petição, clique aqui...

O pai de Oxana, Nikolai, está a apelar ao Primeiro Ministro da Rússia, Putin, para acabar com o comércio que matou a sua filha




Terça-feira, 10 de Agosto de 2010

«Autoritarismo encapotado»

José Gil (JG), filósofo, tem sempre um olhar crítico, como não poderia deixar de ser em relação à sociedade em que se insere.

JG concedeu uma entrevista ao Jornal Expresso que pode ser lida no Caderno Actual nº 1971 de 07 de Agosto. Ao longo da entrevista fala da sua experiência enquanto docente de Filosofia, das marcas que Gilles Deleuze lhe deixou e da sociedade portuguesa.

Na minha óptica, há uma resposta que marca toda a entrevista e que se refere ao primeiro-ministro. Ao ser questionado se José Sócrates é o protótipo de uma certa forma de ser português, responde taxativamente: «Para mim, ele representa a possibilidade de um autoritarismo encapotado, de que desconhecemos a natureza. Estou convencido que, num contexto adequado, a pulsão autoritária de Sócrates se expandiria e floresceria.»

Caros leitores, é assim que eles comecem, assim surjam os contextos adequados…

Quinta-feira, 5 de Agosto de 2010

Turmas pequenas com insucesso escolar?


«Temos a indicação estatística de que turmas de 15 e menos alunos apresentam taxas de sucesso mais baixas.»

A frase por si só resulta numa enorme contradição. Alguém acredita, salvo raras excepções que confirmam a regra, que as turmas com menor número de alunos terão maior sucesso educativo?
Estando os países nórdicos sempre em voga, quando se fala em educação, servindo de exemplo para tudo e para mais alguma coisa, será que não se olha para o exemplo, no que concerne ao número de alunos por turma / professor?
Como é possível que a actual Ministra da Educação, Isabel Alçada, em entrevista ao Expresso (31 de Julho de 2010) possa proferir a frase que acima citei?
Das duas uma, ou a ministra desconhece a realidade nacional e internacional ou tenta atirar-nos areia para os olhos. Aposto na segunda hipótese.
A estatística é de facto algo perigosa, especialmente quando é realizada uma leitura enviesada dos dados. Clarificando, a Senhora Ministra olvidou um dado essencial, que fará toda a diferença, ou seja, em regra as turmas, em Portugal, com 15 ou menos alunos são constituídas por alunos com algumas características especiais: necessidades educativas especiais, mau comportamento… São estes os factores que levam a que estas turmas sejam constituídas por um número de alunos abaixo da média. Se Isabel Alçada considera este facto, que me parece importante, perceba que a sua argumentação é retórica e carece de fundamentos que a justifiquem convenientemente. A Aventura (na educação) continua…

Terça-feira, 3 de Agosto de 2010

«Certificar» não é sinónimo de «Qualificar»

Vários estudos concluem que a educação tem efeitos no crescimento económico. No caso português, de acordo com António Afonso, professor do ISEG e economista principal do Banco Central Europeu (BCE), «O atraso em termos de capital humano em relação à maioria dos países da OCDE tem tido, e deverá continuar a ter, um efeito prejudicial para o crescimento económico» (Economia, Expresso – 24 de Julho de 2010).

Tem sido feito um esforço para aumentar o nível de escolaridade dos portugueses. Efectivamente, os nossos alunos passam mais tempo na escola e, com a introdução da escolaridade obrigatória até ao 12.º ano, certamente esta tendência manter-se-á. Há, todavia, um grande busílis que importa remover, ou seja, deve ser substituída a lógica da quantidade pela qualidade. Certificar nunca foi, não é e nunca será sinónimo de qualificar. O facilitismo que grassa e devassa o edifício da educação apresenta-se-me como uma fraude geracional que trará a médio / longo prazo consequências nefastas para o nosso país. Logicamente, como é dito no artigo, intitulado Falta de Educação, «A visão estritamente quantitativa pode originar até graves erros de análise». Penso que não pode causar, causa com toda a certeza! O que fará a diferença é o «conhecimento efectivo dos alunos» e as competências que estes adquiriram e que, posteriormente, transfiram nas suas práticas profissionais.

Vivenciamos o império dos números, da estatística, é corriqueiro apontar-se o sucesso de uma nova medida através dos números. Veja-se o que se passa com as Actividades de Enriquecimento Curricular (AEC), os governantes enchem a boca para dizer que 95% (o valor poderá não ser exactamente este) das crianças do 1.º Ciclo têm aulas de Inglês, Educação Física e Música. Mas já alguém questionou a utilidade e a validade desta iniciativa? Já alguém mediu que efeito teve esta medida nas aprendizagens das crianças? A mesma questão pode ser colocada para as Novas Oportunidades…

Assim não vamos lá…