Opiniões,comentários e reflexões sobre Portugal e o Mundo... Não tenho qualquer interesse literário, mas sou feito de literatura. Franz Kafka, Cartas a Felice jagcarreira@gmail.com
Domingo, 31 de Outubro de 2010
Sexta-feira, 29 de Outubro de 2010
Quinta-feira, 28 de Outubro de 2010
As sete vidas de Sócrates
Nota: imagem retirada do blogue we have kaos in the garden
«José Sócrates é um sobrevivente nato e não está de modo algum nos seus planos deixar-se ficar tranquilamente à espera que algures em 2011 o PS, o PSD e o Presidente acordem o seu afastamento.» (Helena Matos, Cara a cara, Jornal Público, 28 de Outubro de 2010).
Costuma dizer-se que quem tropeça e não cai, dá um passo em frente. Esta imagem parece ilustrar muito bem aquilo que tem sido o percurso de José Sócrates. Desde a sua licenciatura ao caso Freeport, o engenheiro abana, cambaleia, desequilibra-se, parece estar a roçar com o nariz no solo (e o dele é putativamente, se nos lembramos da figura criada por Geppetto, de dimensões consideráveis), mas no último instante, num golpe de rins, de invejar por qualquer ginasta, reergue-se, olha em frente, avança e aparece mais forte do que nuca.
O senhor primeiro-ministro parece ter vários fôlegos e sete ou mais vidas. O homem é camaleónico, arguto, persistente, corajoso, e … mentiroso. As sondagens valem o que valem. Penso que os seus adversários não devem cometer o erro crasso de o verem como acabado. Ou os seus adversários políticos tomam posições de força ou correm o sério risco de serem surpreendidos com mais um golpe de rins e novos «malabarismos».
Quarta-feira, 27 de Outubro de 2010
CAVALGANDO A ONDA DA DÍVIDA
A dívida pública portuguesa não pára de aumentar. Para que possamos perceber o ritmo frenético a que aumenta o valor da dívida, aconselho uma visita ao site PORDATA, da Fundação Francisco Manuel dos Santos. Observe os contadores e tente, se conseguir, registar o valor do contador referente à Dívida bruta das Administrações Públicas. É impossível registar o valor e mantê-lo actualizado porque ele aumenta a cada nanossegundo. Portugal está à beira do colapso, os agentes políticos estão sem rei nem roque.
Como parece estar a acontecer com o ainda presidente do Brasil, Lula da Silva, também Portugal parece estar prestes a ser levado pela onda da dívida. Ao longo dos anos, os arautos do costume foram, irresponsavelmente, cavalgando a onda. Agora estamos prestes a assistir à fúria do oceano que pode levar-nos ao naufrágio. Haverá quem sobreviva a este tsunami? A julgar pelo estado das finanças das famílias portuguesas, julgo ser difícil chegar a terra firme e respirar de alívio.
Para que se perceba melhor o que me ensombra o pensamento, leia-se o excerto que se segue:
«627 mil não conseguem pagar. Em Junho, 13,7% do total dos 4,5 milhões de pessoas com empréstimos bancários falharam os pagamentos. Segundo o Banco de Portugal, a maioria dos incumpridores têm créditos ao consumo.» (Expresso, 23 de Outubro de 2010)
Nota: o sublinhado é meu.
Segunda-feira, 25 de Outubro de 2010
ProfBlog - Extinguir as AEC e regressar aos ATL
Lembram-se da bandeira das Actividades de Enriquecimento Curricular? Criadas por Maria de Lurdes Rodrigues sob o pretexto da escola a tempo inteiro? Apesar de toda a gente reconhecer o falhanço pedagógico das AEC, o primeiro-ministro continua a levantar a bandeira da propaganda acenando ao Povo com a bondade das AEC.
As AEC acarretam uma sobrecarga de trabalho inútil aos professores titulares das turmas sob a falsa questão da coordenação pedagógica e da ligação entre a componente lectiva e a componente de enriquecimento curricular.
Para as crianças, as AEC representam uma pequena tortura. Muitas permanecem na escola mais de 6 horas por dia.
A verdade é que a criação das AEC conduziu à destruição dos ATL, lançando no desemprego muitas centenas de professores, educadores e auxiliares de acção educativa.
Com as autarquias financeiramente asfixiadas, não tarda que elas comecem a deixar de ter possibilidades de garantir o pagamento dos professores que leccionam nas AEC.
Esta é uma boa oportunidade para pôr fim às AEC, trocando o mau serviço que prestam pelo bom serviço das Actividades de Tempos Livres (ATL).
Era conveniente que o PSD e o CDS se pronunciassem sobre este assunto. O silêncio destes dois partidos acerca da Educação começa a ser ensurdecedor. (ProfBlogue de Ramiro Marques).
Quarta-feira, 20 de Outubro de 2010
Metáforas com mineiros e minas
Após uma operação de salvamento que teve tanto de sentimento como de mediatismo, os nossos colunistas não podiam deixar de escapar-se-lhes, por entre as mãos, a oportunidade para utilizarem a escrita pejada de metáforas.
Muitos foram os que discorreram em torno das operações de salvamento, o futuro dos mineiros e suas famílias, o comportamento do presidente do Chile, a tecnologia utilizada…
Destaco dois: Miguel Sousa Tavares (Expresso, 16 de Outubro) e Jorge Marmelo (Público, 19 de Outubro). MST faz uma comparação crítica entre a reclusão a que se viram obrigados aqueles trabalhadores chilenos com a degradante imagem, reflexo da degradação moral, dos concorrentes do programa da TVI «Casa dos Segredos».
No caso dos mineiros os telespectadores puderam assistir a momentos em que aqueles homens foram um exemplo de dignidade, coragem e humildade («(…) A partir daí, esperaram, confiaram, preparam-se para a hora dos resgate e fizeram a questão de sair barbeados, limpos, calmos, dignos: nada de sair como mártires, sujos, miseráveis, a apelar ao sentimento e à desgraça. Essa foi a grande lição: grandes momentos exigem grandes homens». Já no que concerne aos que se sujeitam voluntariamente ao sequestro (concorrentes do programa da TVI), MST arrasa-os, considerando que se encontram nos antípodas dos mineiros: «A TVI mostra-nos o espectáculo degradante da prostituição moral e da indigência mental feitas happenning para um milhão e meio de voyeurs. Dá que pensar». Repito, 1 500 000 de pessoas assistiram ao programa.
Jorge Marmelo estabelece um paralelo entre o chefe dos mineiros que assumiu o comando das operações e conseguiu gerir a situação no fundo da mina em que se encontraram presos com e a situação em que nós, portugueses nos encontramos: «Estamos na mina, no fundo da mina, soterrados por uma inacreditável montanha de equívocos, ardis e falsidades». Só que para mal dos nossos pecados, há uma diferença substancial: «Ainda estamos vivos, os dez milhões, apesar de agora ser óbvio que cada novo chefe de turno foi só mais um impostor: prometia levar-nos para fora da mina e, afinal, guiava-nos para caminhos escuros que apenas conduziam a galerias cada vez mais fundas, mais negras, das quais será ainda mais difícil sair. (…) Estamos sequestrados e sofremos de uma espécie de síndrome de Estocolmo, sempre dispostos a perdoar e a eleger aqueles que nos conduziram ao fundo do buraco».
Nós estamos a ficar sem mantimentos, a barba está crescer, o sistema nervoso está a descontrolar-se, e parece que a nossa cápsula salvadora tarda a aparecer (seta que algum dia aparecerá?).
Quanto ao síndrome de Estocolmo, provámos…gostámos e não queremos outra coisa. Sócrates, embora não apenas ele, tem sido o causador da percorrermos galerias erradas que nos levam a afastar de um futuro melhor, mas parece ainda estar na graça de muitos: Eurosondagem para o Expresso, SIC e Rádio Renascença: PS – 35,3% / PSD – 35,3% / CDU – 8,4% / CDS/PP – 8,4% / BE – 7,8%.
Presidamos urgentemente de substituir o chefe, sob pena de rapidamente soçobramos asfixiados pelas medidas draconianas impostas.
Segunda-feira, 18 de Outubro de 2010
ORÇAMENTO LETAL?
FONTE DA IMAGEM: http://wehavekaosinthegarden.blogspot.com/
O OE-2011 poderá ser encarado como um orçamento deprimido e deprimente. Os contribuintes verão as suas economias familiares delapidadas sem quaisquer réstias de pudor. O «assalto» ao contribuinte é feito sem máscara, sem luvas e em plena luz do dia.
Poder-se-á equacionar se as medidas de austeridade draconianas poderão resolver o problema do país. Infelizmente, estas medidas não me parece que possam ser mais do que meros paliativos para o alívio da dor de um país que sangra imenso, cujo coração bate progressivamente a um ritmo mais lento. O contribuinte definha, estas medidas paliativas podem provocar o apertar do garrote e levar a uma espécie de eutanásia colectiva.
A população, hoje sofre, sofre muito, mas, amanhã, caso não se invertam paradigmas obsoletos, poderá estar moribunda.
Quarta-feira, 13 de Outubro de 2010
Ponto de Vista
Para mim, mais importante que a novela da aprovação ou não do orçamento de estado, é o facto de ninguém se parecer preocupar com a noção de vivermos numa democracia(?), que tem uma oposição que é "obrigada", a votar favoravelmente, para evitar a derrocada da nossa, já frágil, economia. Anos sucessivos de maus governos e políticos, levaram ao descalabro, e ao descurar dos mais básicos princípios da nossa constituição, e mais grave do que isso, parece ser a cegueira, de todos os que parecem não ter ainda compreendido quem são os verdadeiros responsáveis. A culpa meus amigos, não é da democracia…
Quinta-feira, 7 de Outubro de 2010
Terça-feira, 5 de Outubro de 2010
Domingo, 3 de Outubro de 2010
COMÉRCIO TRADICIONAL VS HIPERMERCADOS
A luta é desigual. É verdade que o pequeno David, por uma vez que fosse, conseguiu vencer o poderoso Golias. Mas terá sido uma vez sem exemplo, a excepção confirmou a regra!
A luta que o «pequeno comércio» tem vindo a travar contra os hipermercados é desigual e não se prevê que aquele venha a acertar em cheio nos «Golias» contemporâneos e os possam vencer.
O governo poderá ter dado a arma que faltava aos patrões das grandes superfícies ao aprovar um decreto-lei, no início de Agosto, que permite que as superfícies comerciais com mais de 2000 metros quadrados estejam abertas todos os dias das 06h00 às 24h00. Porque não legislar no sentido de possibilitar uma abertura no stop? 24 Horas parece-me que seria o ideal… Não lhe parece, caro leitor? Que bom que seria poder acordar às, por exemplo, 03h00 e ir comprar um pacote de leite achocolatado e um pastel de nata, de preferência um (o leite) bem fresquinho e o outro (pastel) ainda quentinho e estaladiço, acabadinho de sair do forno.
Depois da ironia fácil, um pouco mais a sério, concordo com o deputado Hélder Amaral que, apesar de considerar que não é um tema fácil, se posiciono ao lado dos mais pequenos.
Assim, considero que o novo decreto é um erro que prejudicará o pequeno comércio e dará, directa ou indirectamente, um grande contributo para o desmantelamento do que ainda resta da FAMÍLIA.
Sexta-feira, 1 de Outubro de 2010
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