Sexta-feira, 31 de Dezembro de 2010

BOM 2011

Estudar tanto para isto?




Um especialista afirma que o problema começa no ensino secundário.

Na universidade há licenciados que trabalham como porteiros e zeladores de prédios.

Os alunos queixam-se de terem poucas aulas práticas.

O salário exíguo é a única consequência do desajustamento.

Ao ler estas frases, resultantes de evidências, o leitor com toda a certeza pensará que está farto de ouvir dizer tais coisas, não são novidades. Talvez fique mais admirado se lhe disser que as afirmações são de especialistas espanhóis na área da educação.

Em Espanha 25% dos universitários ocupam empregos muito abaixo da sua preparação. A agravar esta realidade, um estudo da Fundación de las Cajas de Ahorro, baseado no método de avaliação do projecto Adult Education Survey, concluiu que Espanha está à cabeça dos países da OCDE com «empregados sobreeducados», ou seja, os postos de trabalho são ocupados por pessoas com uma preparação académica muito superior às necessidades das funções que desempenham. Os espanhóis são líderes europeus no que concerne ao abandono escolar (30%).

O desajustamento entre as habilitações académicas e as funções desempenhadas profissionalmente, resultam num salário exíguo, crises de auto-estima, absentismo laboral, baixas médicas por depressão e fraca produtividade.

Parece-me que há um traço em comum com a realidade que vivemos no nosso país.

Se queremos resolver os nossos problemas, talvez seja profícuo partilharmos conhecimentos, preocupações, dúvidas, soluções, não só com os nossos vizinhos fronteiriços, mas com todos os parceiros que procurem respostas adequadas para problemas que nos são comuns.

Estes debates alargados só serão possíveis se houver um entendimento entre as várias forças políticas, quanto ao caminho a seguir, no que diz respeito aquela que deve ser verdadeiramente um desígnio nacional: a Educação. Será que seremos capazes de concertar posições, por uma vez que seja?

Quinta-feira, 30 de Dezembro de 2010

Barbie Video Girl


Os perigos andam por aí, estão ao virar da esquina ou mesmo numa boneca. A famosa boneca Barbie, ex-líbris da Mattel, este ano tem uma novidade que arrebatará muitas crianças: uma câmara de vídeo e um LCD incorporados. A câmara encontra-se colocada no colar e o monitor nas costas. Esta novidade permite às crianças filmar e verem imediatamente as imagens captadas.
Este «gadget» é a maior aposta da marca para esta quadra natalícia. Penso que o sucesso estará garantido.
Todavia, o diário El País (28/12/2010), informa que o FBI lançou o alerta para os perigos que esta novidade poderá comportar, no que concerne à pedofilia. Os possíveis abusadores poderão utilizar a atractiva boneca para captar a atenção de putativas vítimas inconscientes.
Será um exagero? Andam a ver perigos ao virar da esquina?
Fica aqui a chamada de atenção e o apelo a que todos o divulguem junto de familiares e amigos.

Violência doméstica – Urge «quebrar o silêncio»!

A Resolução do Conselho de Ministros n.º 100/2010, publicada no Diário da República, 1.ª série - N.º 243 — 17 de Dezembro de 2010, estabelece os objectivos e estratégias do
IV Plano Nacional contra a Violência Doméstica (2011-2013). O Plano terá cinco áreas estratégicas de intervenção: 1) Informar, sensibilizar e educar; 2) Proteger as vítimas e promover a integração social; 3) Prevenir a reincidência - intervenção com agressores; 4) Qualificar os profissionais; 5) Investigar e monitorizar.

As áreas de intervenção enunciadas são fulcrais para se quebrar a barreira da indiferença. Rosa Montero, no jornal El País, de 28 de Dezembro de 2010, chama a atenção dos leitores para o mau trato infantil. De acordo com as estatísticas, não nos esqueçamos que ficam sempre muito aquém da realidade, a violência sobre as crianças suplanta a que é exercida sobre as mulheres. Outra problemática referida no seu texto é a que afecta os idosos. Passo a citar: «Claro que há outro pavoroso problema do quotidiano ainda mais silencioso, os abusos cometidos contra os idosos, que são vítimas cómodas para os abusadores: não se podem defender, e muitas vezes nem sequer se movem, não denunciam, não votam e em pouco tempo acabam por morrer.»

Corroboro a opinião de Rosa Montero que aponta a indiferença como um, senão mesmo o maior, obstáculo para o combate à violência existente no seio do lar: «A porta do vizinho pode ocultar um inferno doméstico, mas preferimos não inteirar-nos da situação. Incestos, maus tratos, abusos sexuais (…)»

Urge «quebrar o silêncio»!

Quarta-feira, 29 de Dezembro de 2010

3 C - CLIENTELISMO, CORRUPÇÃO E CENTRALISMO


Ontem assisti, com atenção e alguma desilusão, a mais um debate entre dois candidatos à Presidência da República: Defensor Moura e Fernando Nobre. Este debate não destoou dos anteriores. Os candidatos têm-se revelado incapazes de mobilizar as pessoas de reactivar a cidadania e revitalizar a corrida à presidência. O facto de o professor Cavaco estar praticamente eleito também não ajuda muito…

O debate, pejado de banalidades e informações recessas, pouco ou nada acrescentou. Todavia, embora não nutra especial simpatia pelo candidato Defensor Moura, houve algo que retive das suas palavras. Importa combater o clientelismo, a corrupção e o centralismo. Estes cancros, uns mais do que outros, há muito que estão diagnosticados, mas, embora venham sendo enunciados amiúde, não conheço quaisquer propostas concretas dos candidatos que possam contribuir para a melhoria.

Preocupa-me que o nosso país não tenha tido a capacidade de gerar outros candidatos com uma visão de futuro para o país, alicerçada num conhecimento profundo do passado e do presente do povo português. Todavia, não deixarei de exercer o meu direito de voto e de fazer a minha opção, aliás, como penso que todos os cidadãos deverão fazer no dia 23 de Janeiro. Pode ser que ainda surja alguma novidade nos debates que faltam…

Segunda-feira, 27 de Dezembro de 2010

10 coisas que um blog é

António Granado, no seu blogue Ponto Média, dá-nos conta do que é um blogue:


«O PONTO Média tem um ADN próprio, que evoluiu ao longo destes 10 anos. A receita que aplico, e que aqui descrevo, não é certamente consensual nem única. Mas é a minha, e tenho-me dado bem com ela…»


1. Um blog é um espaço para partilhar conhecimento.

2. Um blog é um compromisso diário. Ou quase diário.

3. Um blog é um lugar de agregação, dirigido por um curador.

4. Um blog é uma conversa, não é uma palestra.

5. Um blog é 80 por cento factos, 20 por cento opinião.

6. Um blog é transparente quanto às suas fontes.

7. Um blog é um investimento de longo prazo.

8. Um blog é um sítio de organização pessoal.

9. Um blog é o rosto visível do seu autor.

10. Um blog é tematicamente consistente. Mas pode surpreender.

Quinta-feira, 23 de Dezembro de 2010

FELIZ NATAL!!!


DESEJO A TODOS UM NATAL MUITO FELIZ!


NOTA: Esta postagem é a n.º 1001. Espero poder manter este espaço animado e interessante. Agradeço muito a todos os leitores do Cegueira Lusa.   

ALERTA - RESGATAR AS CRIANÇAS DOS SOLDADOS

Neste período de Natal quero enviar os meus parabéns a todos aqueles que têm contribuído para resgatar muitas das crianças dos «soldados» que têm dentro delas. Em vários países africanos muitas crianças são levadas das aldeias e tornam-se «crianças soldado». São vítimas da violência que arrasa o seu país e tornam-se eles próprios, porque não têm alternativa, verdadeiros assassinos. 
O trabalho que é levado a cabo com as crianças, no intuito de as recuperar para a vida, é excepcional e merece o reconhecimento de todos nós.   

Sábado, 18 de Dezembro de 2010

ALERTA: Violência na Europa aumenta

Violência na Europa

Berlusconi (Primeiro mninstro de Itália) e Kostis Hatzidakis (ex ministro dos transportes) foram alvo da fúria dos seus concidadãos.
As manifestações de revolta na Europa começam a ganhar um grau de violência preocupante!
A tolerância com os políticos começa a estar muito próxima do zero. 

Sexta-feira, 10 de Dezembro de 2010

O custo do ensino privado é superior ao do ensino público

Declaração de interesses: sou admirador dos artigos de opinião assinados pelo professor universitário Santana Castilho (S.C.) no Jornal Público.

Raramente, embora por vezes suceda, estou em discordância com as suas opiniões e pontos de vista.

Mais uma vez, o que verteu no artigo «Deve o Estado financiar o ensino privado?» é algo com que concordo em absoluto. Passo a explicar, entendo que as escolas privadas apenas devem ser financiadas pelo Estado quando este não tem capacidade de resposta, ou seja, quando a rede de escolas públicas se revela insuficiente face ao número de alunos de uma determinada área geográfica. Este é o pressuposto em que se fundaram os acordos criados ao longo dos anos. Estando o estado, como lembra S.C., obrigado a criar “uma rede de estabelecimentos públicos de ensino que cubra as necessidades de toda a população – Artigo 75:º da Constituição Portuguesa – assim que esta dê resposta às necessidades, deixa de fazer sentido financiar equipamentos de que não precisa e que, de algum modo, concorrer directamente com as escolas públicas.

Efectivamente, na minha óptica, não faz sentido subsidiar escolas privadas que retiram alunos das escolas públicas como tem acontecido, por exemplo, na cidade onde vivo.

Quanto ao direito à escolha, este deve ser sempre salvaguardado. Todos os pais têm o direito de escolher a escola que desejam para os seus filhos. Todavia, se optam por uma escola que não faz parte da rede pública, têm que sujeitar-se às regras do mercado.

Também não me parece ajustado que as escolas privadas queiram beneficiar de financiamentos por parte do Estado, mas depois ditem as regras do jogo a seu belo prazer… Refiro-me, obviamente, à contratação de professores, gestão, selecção de alunos…

Enfim, como sempre, S.C. toca na ferida e detona toda a argumentação que tem vindo plasmada nos media.

EDUCAÇÃO: COREIA E FINLÂNDIA NO TOPO DA OCDE

A Finlândia e a Coreia encabeçam a lista dos países com os melhores resultados no estudo levada a cabo pela OCDEPISA 2009 relativamente às competências de leitura, matemática e ciências.
Não Sendo a Coreia o modelo a seguir, no que concerne aos direitos, liberdades e garantias dos seus cidadãos, importa perceber as razões para o sucesso do seu sistema de ensino.  
Soojin Park, co-autor do PISA 2009, em entrevista ao site EducPros.FR, explica as razões do sucesso do sistema de ensino coreano:
·         Estatuto dos professores;
·         Valorização do trabalho do aluno na sociedade;
·         Repartição igualitária do esforço financeiro;
A grande qualidade dos professores é tida como um factor determinante. Ser professor é uma profissão extremamente popular, estável e bem remunerada. Segundo o autor, comparativamente, um professore coreano aufere o dobro de um professor francês. O DOBRO!!! (Valor calculado em função do PIB por habitante).
Em contrapartida, as turmas na Coreia são bem maiores do que em França - (35,9 alunos por turma na Coreia / 26,9 em França). Ressalve-se que, na Coreia, há poucos problemas de disciplina e as aulas obedecem a um método essencialmente expositivo, o professor fala, expõe as matérias e os alunos ouvem e trabalham.
Importa também referir que as aulas de apoio, na Coreia, são seguidas por uma grande franja de alunos (67,6%) no final da tarde e ao fim-de-semana. O investimento em aulas de apoio tem sido uma política seguida com sucesso, apesar dos custos que representam para o país, porque o Estado e as famílias entendem que a educação é a sua única força. De referir também que aluno e professor não estão muitos próximos um do outro, o respeito e a disciplina são valores indeléveis e a forte carga horária a que os alunos estão sujeitos é obtida em detrimento de temos de lazer.

Quarta-feira, 8 de Dezembro de 2010

CLUBE DOS (LIVRES) PENSADORES


O Clube dos Pensadores encerrou mais uma temporada com um convidado de excepção: Mário Crespo.
Desta vez, o fundador do Clube, Joaquim Jorge, convidou um dos melhores jornalistas portugueses que tem pugnado pela liberdade de expressão e por uma credibilização da informação.
Falo de credibilização porque, como ficou explícito no debate desta noite, muitos dos meios de comunicação estão na dependência de grandes grupos económicos com as consequências que se adivinham. A isenção da informação tem vindo a tornar-se uma preciosidade rara. Paralelamente aos grupos de pressão não nos podemos esquecer, por exemplo, da RTP que tem vindo a ser instrumentalizada pelo poder político. Serviço público? Pouco ou mesmo nenhum? Despesa pública? Muita, exageradamente alta, cerca de 1 000 000 de euros por dia financiados pelos contribuintes portugueses. UM MILHÃO!!!
Num contexto de claustrofobia informativa e défice democrático, o CLUBE DOS PENSADORES representa uma lufada de ar fresco, uma espécie de oásis que importa fazer crescer sob pena de o deserto de ideias, do vazio de reflexão se expandir proporcionalmente aos grãos de areias do deserto e o povo português ter que continuar indefinidamente a fazer a sua travessia.