Estou em crer que, para uma maioria esmagadora dos apoiantes de Fernando Nobre, a sua recente tomada de decisão – aceitou o convite de Pedro Passos Coelho para encabeçar a lista por Lisboa – foi uma decepção, para alguns uma traição. Parece-me que alguém que lutou, em nome da cidadania «contra o sufoco partidário da vida pública e que disse não aceitar qualquer cargo no âmbito dos partidos, deveria ter uma postura coerente. Quanto terá custado este seu sim? A sensação com que se fica é que tudo e todos têm um preço. Poder-se-á afirmar que estamos na presença de uma «Nobre decepção». Nobre desbaratou um importante capital que dificilmente recuperará. Mais, os votos que obteve não são, logicamente, transferíveis para o PSD. Acredito até que esta opção trará mais prejuízos do que proveitos a Passos. Ouçam-se as vozes dos «algozes» a insurgirem-se contra a escolha e atribuição de tão importantes lugares a um putativo independente. Parece que Nobre teve outras propostas. Talvez tenha ocorrido uma espécie de leilão em que Passos fez a licitação maior e levou o troféu. Independentemente do licitador que ganhou o que fica bem sublinhado é que os movimentos da sociedade civil foram como «bombardeados». Será muito difícil, nos tempos mais próximos, um novo fenómeno Nobre.

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