Terça-feira, 17 de Maio de 2011

Merecemos ter presente, pensar no futuro e nunca esquecer o passado.

«Parafraseando James Clarke, têm-nos sobrado políticos que só pensam na próxima eleição e escasseado políticos que se preocupem com a próxima geração. Eis um paradigma que é forçoso mudar.»

Este parágrafo foi transcrito do mais recente livro do professor Santana Castilho (de quem sou admirador) intitulado O Ensino Passado a Limpo (2011, p.15), editado pela Porta Editora.

Este é um dos problemas que urge ultrapassar, temos que abandonar, como refere Daniel Innerarity (“O Futuro e os seus Inimigos”, 2011, p. 12) a concepção instantaneísta da democracia.

Efectivamente, grande parte das medidas levadas à prática pelos governos norteiam-se, apenas e tão só, pela resolução de alguns problemas que apoquentam as pessoas «hoje». Não são equacionados projectos governativos que tenham um enfoque no médio ou no longo prazo. A solidariedade geracional é algo que nos escapa por entre os dedos. A vivência do imediato, do hedonismo e do individualismo exacerbados, são traços característicos das actuais sociedades que não permitem a projecção de medidas de fundo e assegurem aos vindouros a sustentabilidade necessária das sociedades em que se inserem.

Mais do que fomentar a solidariedade entre gerações, importa ganhar eleições. Não se olha a meios para que possam ser atingidos os fins. Esta dura e lamentável realidade deve ser alterada urgentemente!

Penso que é tempo de preocupação, discussão, reflexão e conveniente actuação. Vale sempre a pena, como diz o poeta, quando a alma não é pequena. A alma lusa é grandiosa, creio que merecemos ter presente pensar no futuro e nunca esquecer o passado.

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