Sábado, 8 de Outubro de 2011

Lobby Médico

 O acesso aos cursos de medicina foi dificultado este ano. Estes cursos continuam a ocupar o pódio das médias mais altas de acesso ao Ensino Superior. Este ano a média mais alta foi registada na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (186,3).
O acesso aos cursos é complicadíssimo! Concordo com a exigência, não com a intransigência, intransigência essa que, a breve trecho, estará também presente na hora do acesso à profissão. Consta que a Ordem se prepara para obstruir um pouco mais o já difícil percurso que os senhores doutores têm que obrigatoriamente percorrer.
O reduzido número de vagas e a média exigível são dois factores que têm contribuído para que putativos médicos, talvez com uma vocação, sejam impedidos de correr atrás do «sonho». Nem vale a pena dissertar sobre o valor de uma média no que concerne às futuras práticas…
O que me leva a escrever este artigo é o lobby exercido por esta classe profissional. Não me parece razoável que se continue a dificultar o acesso ao curso de medicina e à profissão quando há uma necessidade diagnosticada de médicos, especialmente médicos de saúde familiar. Esta necessidade tem forte incidência no interior do país e em zonas de cariz mais rural.
Um aluno português que vá estudar para o país vizinho pode pagar só em propinas entre 11 000 e 18 000 euros. Esta semana o jornal Público noticiava que um curso de medicina em alguns países do leste europeu pode atingir os 50 000 euros só em propinas. Junte-se a estas quantias as despesas de alojamento, alimentação, material didáctico… Todas estas receitas poderiam ficar nos cofres nacionais. Mas não… continuamos a preferir, a la longue, contratar médicos estrangeiros, com especial incidência em profissionais de origem sul-americana e do leste europeu. Não deixa de ser um paradoxo!  Mas o absurdo vinha relatado no Público ( 05 de Outubro de 2011), ou seja, foram contratados médicos costa-riquenhos «que chegaram em Maio para reforçar os centros de saúde. Desde então, recebem 2800 euros, com direito a casa. O único senão: não podem trabalhar.»
Parece que estamos à espera que o céu nos caia em cima!

1 comentários:

Jaime disse...

Há vários erros básicos neste texto. Este ano não foi mais difícil entrar em Medicina visto que o número de vagas é igual ao do ano passado. O que há é mais jovens a candidatar-se a Medicina. Porquê? Se há vagas a medicina geral e familiar e a medicina interna, não as há em cardiologia, neurologia, cirrugia ou dermatologia. Há vagas às primeiras áreas porque ninguém as quer - os salários são baixos. Nas outras, onde os salários são altíssimos (exagerados?) todos querem ir para lá mas não há mais vagas. Conclusão, estamos a formar desempregados!!! E a Ordem dos Médicos não vai dificulatr o acesso. Apenas avisou que se atingiu o limite dos lugares de estágio. A missão dos políticos devia ser explicar isto e não exigir mais vagas em Medicina (que além do mais é o curso mais caro de todos!).