Segunda-feira, 18 de Abril de 2011

- DEMOCRACIA INTELIGENTE -

A desfaçatez e irracionalidade generalizada com que os políticos nos brindam todos os dias, é de tal forma incoerente, que nos faz inclusive duvidar da nossa capacidade para destrinçar o certo do errado.

Congressos que são verdadeiras antros de vaidades, num desfilar de figuras prontas para uma vassalagem, cega de pudor e sentido, apenas à espera de um lugar...Caídas aqui, como que de um sítio bem lá longe, onde as vozes de descontentamento dos portugueses não podem ter chegado, ou não se poderia perceber os discursos inflamados, mas ridículos, de tão alheados de uma realidade que preferiram ignorar...

Vaidosos na forma como se apresentam, em público, e ao povo, de perfil ou de olhos nos olhos, mas sempre de texto rasurado lá ao fundo, cheio de promessas mas vazio de ideias, que não as mesmas de sempre...

Ligar o rádio e ouvir os mesmíssimos nomes, a encabeçar listas e responsabilidades a que não souberam responder...

Estamos cansados, sinceramente...Que não se queira mudar, romper com o que lá vai, ouvir novas vozes, ver novas pessoas, acreditar que é possível e não estamos condenados a mais do mesmo...

Eu prefiro acreditar...que esta incoerente forma de estar, se vai esbater pela ação de uma democracia inteligente, aquela que depende de nós e da nossa capacidade de destrinçar o certo do errado, a mudança, da voz que nos repete o de sempre...

Sexta-feira, 15 de Abril de 2011

O transe de José Sócrates

José Sócrates tem um apelido de filósofo grego, considerando os dons de retórica talvez lhe assente bem. Ultimamente, parece reaproximar-se mais da antiguidade clássica. O líder do Partido Socialista parece encarnar na perfeição a figura da pitonisa. No Congresso realizado em Matosinhos entrou em transe, o Oráculo funcionou e começou a debitar informação, parecendo cada vez mais distante a sua adesão à realidade. José Vítor Malheiros, no Jornal Público (12 de Abril de 2011), avança com a ideia de que «Uma das explicações para este congresso alegremente mentecapto e de glorificação do líder é, simplesmente, que alguém tenha posto alguma coisa na água.»
José Sócrates parece acreditar nos próprios delírios e consegue fazer com que muitos acreditem nas suas «visões». A explicação para a crença de uma multidão na capacidade oracular que este encerra na sua identidade assenta num simples princípio enunciado por Helena Matos (Público, 14 de Abril de 2011): «Mitologicamente falando, que eles, que têm tido como fonte de rendimentos cargos em que nos prometem uma Idade de Ouro, cheia de carros eléctricos, TGV, cheques-bebé e computadores à borla, estão dispostos a quase tudo para não serem destronados.              
A era dos «partidos dos amigos» está em fim de ciclo. As dificuldades que os portugueses sentem e se agravam a cada dia obrigarão a soluções arrojadas e a políticos / decisores competentes. DEVEM SER OS MELHORES, OS QUE REUNEM COMPETÊNCIAS, DÃO PROVAS E TRABALHAM QUE DEVEM ACEDER A CARGOS PÚBLICOS.   

Quarta-feira, 13 de Abril de 2011

Nobre decepção

Estou em crer que, para uma maioria esmagadora dos apoiantes de Fernando Nobre, a sua recente tomada de decisão – aceitou o convite de Pedro Passos Coelho para encabeçar a lista por Lisboa – foi uma decepção, para alguns uma traição. Parece-me que alguém que lutou, em nome da cidadania «contra o sufoco partidário da vida pública e que disse não aceitar qualquer cargo no âmbito dos partidos, deveria ter uma postura coerente. Quanto terá custado este seu sim? A sensação com que se fica é que tudo e todos têm um preço. Poder-se-á afirmar que estamos na presença de uma «Nobre decepção». Nobre desbaratou um importante capital que dificilmente recuperará. Mais, os votos que obteve não são, logicamente, transferíveis para o PSD. Acredito até que esta opção trará mais prejuízos do que proveitos a Passos. Ouçam-se as vozes dos «algozes» a insurgirem-se contra a escolha e atribuição de tão importantes lugares a um putativo independente. Parece que Nobre teve outras propostas. Talvez tenha ocorrido uma espécie de leilão em que Passos fez a licitação maior e levou o troféu. Independentemente do licitador que ganhou o que fica bem sublinhado é que os movimentos da sociedade civil foram como «bombardeados». Será muito difícil, nos tempos mais próximos, um novo fenómeno Nobre. 

Segunda-feira, 4 de Abril de 2011

Escola - Para ser Director

Andreas Schleicher, Coordenador do Programme For International Student Assessment (PISA) da OCDE, em entrevista ao Semanário Expresso, apontou, como obstáculo à melhoria do ensino, o facto de em “Portugal a sala de aula estar fechada”. Penso que hoje esta situação já não será tão evidente e um longo caminho tem vindo a ser percorrido, no sentido de uma maior transparência das interacções ocorridas entre professores e alunos e entre pares.

Andreas chama também a atenção para o seguinte, em Xangai só chega a Director de uma escola “se tiver trabalhado com um estabelecimento de ensino de um bairro complicado e conseguido mudar os resultados”. O que se passa em Portugal? Como se chega a Director? A figura do «dono da escola» tem novos contornos, passa agora pela apresentação de um projecto que depois será sufragado em eleições. Contudo, penso que a metodologia adoptada não promove, hoje, a chegada a Director dos melhores. Muitas vezes são-no sem que tenham dado quaisquer provas de possuírem as competências adequadas ou fruto influências políticas ou afins...

Outro factor que importa sublinhar é que nos países com melhores resultados académicos, os melhores e mais experientes professores são levados para as turmas mais difíceis. No nosso país, as turmas mais complicadas, normalmente dos CEF (Cursos de Educação e Formação) são segregadas dentro da própria escola, sendo, não raras vezes, colocadas em pavilhões distintos, como que dando azo a um fenómeno de guetização escolar. Quem são os docentes destas turmas? Em regra estas turmas são entregues aos professores mais novos, logo menos experientes, e contratados, logo mais instáveis e vulneráveis.

Contentamo-nos com a melhora dos resultados do PISA e assistimos de bancada à delapidação de um geração que caminha a passos largos para um futuro sombrio.