Quinta-feira, 30 de Junho de 2011

Joaquim Jorge apresenta livro em Viseu

Joaquim Jorge, fundador do Clube dos Pensadores, blogue que já vai no seu quinto ano de existência, e que conta com centenas de “post’s” publicados, compilou as suas publicações e lançou o livro “Blogue Clube dos Pensadores”, em Gaia.
Na próxima sexta feira, dia 1 de julho o autor estará em Viseu para apresentar o seu trabalho.

Domingo, 19 de Junho de 2011

As reformas na educação


“De então para cá, em Portugal, como noutros países europeus, o que sucedeu foram reformas avulsas, sem objectivos claramente definidos e devidamente contextualizados, elaboradas de costas voltadas para os agentes educativos, que se sentiram (sentem!) ultrapassados, desrespeitados e injustiçados.” (Manuela Silva, Membro da comissão permanente da rede Economia com futuro, IN Público, 17 de Junho de 2011)

A Dr.ª Manuela Silva diz-nos que desde o Relatório Jacques Delors: «Educação: um tesouro a descobrir», datado de 1996, a educação tem vindo a seguir caminhos tortuosos, ziguezagueantes. A sensação com fico, muito sinceramente, é que os sucessivos timoneiros do Ministério da Educação navegaram sempre à vista, sem que possuíssem rotas antecipadamente definidos nem destinos pré-estabelecidos. No fundo, a direcção tem sido tomada em função dos ventos e das marés.

Não há tempo para mais experiências. Os nossos alunos e os professores não podem continuar a ser cobaias de experiencias, mais ou menos felizes, dos sucessivos ministros da educação. Importa diagnosticar, reflectir, decidir e executar com assertividade. O novo timoneiro, não sendo a minha escolha preferencial (não escondo, porque sempre o elogiei, que o meu favorito seria Santana Castilho por tudo o que representa), acredito que está em condições de fazer um bom e indispensável trabalho. Estou certo que não esquecerá os professores e apostará na sua promoção enquanto profissionais de excelência e «actores principais» na construção de um novo Portugal.

Dr. Nuno Crato não se esqueça, nem por um nanosegundo, que todas e quaisquer reformas / alterações devem ser conduzidas com os professores e não contra estes. Desejo também que, de uma vez por todas, os sindicatos cumpram a sua principal tarefa - contribuir para a melhoria da educação – e deixem de ser apenas e só focos de pressão e agentes contestatários.

FINGERTIPS - VENICE


SUGESTÃO MUSICAL: VENICE - FINGERTIPS

Domingo, 12 de Junho de 2011

DESPESAS MUNICIPAIS

Muito se tem falado sobre a utilidade das empresas municipais. Há quem as defenda com «unhas e dentes» e quem as abomine e, se tivesse competências para tal, as exterminaria «ao virar da esquina».

Não me revejo em nenhuma das posições. Acredito que há bons exemplos e casos de sucesso inquestionável, mas não será menos verdade que há muitos exemplos de má gestão e de ineficácia do modelo.

Entre o deve e o haver, em que ficamos? Compensa ou não ter empresas municipais. No Expresso, do dia 03 de Junho, abriu-se uma pequena clareira que ajudou a desfazer a nuvem de fumo que torna quase impenetrável a observação sobre esta realidade, tão díspares são os dados oficiais.

Assim, logo na capa do Caderno de Economia ficamos a saber que «42% das empresas municipais não contribuem para o PIB.» Mais, «Das 280 empresas analisadas pelo Expresso, 117 tiveram um valor acrescentado bruto negativo em 2009.» Ficamos ainda a saber que «A maior parte das empresas municipais foi criada por câmaras lideradas pelo PSD.».

Não estando na posse dos dados, e não sendo competente para fazer uma análise séria e rigorosa a esta questão, não posso deixar, contudo, de ficar preocupado com este quadro negro. Faço votos para que o novo executivo governamental analise esta realidade com o rigor necessário e tome opções assertivas, no sentido da desejada e imperativa eficácia destas empresas.

Sábado, 11 de Junho de 2011

A APOSTA NO ROMEO


Afinal de contas, perguntará o leitor, quem é o ROMEO?

Dipak Jain, Director da INSEAD, diz-nos que o ROMEO é, nos Estados Unidos, o RETIRED OLD MEN EATING OUT. Em tradução livre poder-se-á entender como sendo o Indivíduo Reformado que Come Fora.

Em síntese, esta designação serve de rótulo a um grupo de cidadãos seniores que têm TEMPO, DINHEIRO e ENERGIA.

Dipak Jain vê neste grupo de pessoas, a exemplo do que já sucede nos Estados Unidos da América, um público-alvo que o mercado deve levar a sério e poderá funcionar como rampa de salvação da economia nacional. Para tal, as entidades portuguesas têm que trabalhar bem as áreas de negócio como a Saúde, a Diversão e o Turismo de modo a poderem oferecer serviços de qualidade capazes de captar turistas de várias nacionalidades com poder de compra. Como factores positivos tempos, desde logo, o clima e os preços praticados, quando comparados com outros pontos da Europa.

Não devemos esquecer, em quaisquer circunstâncias, que a população mundial tem vindo a envelhecer, com especial incidência nos países desenvolvidos e, como tal, com maior poder de compra.

Acredito que podemos estar na presença de um filão a explorar que muito poderá ter para dar ao nosso país. Acredito também que o nosso país tem muito para dar aos ROMEO: simpatia, hospitalidade, sol, praia, gastronomia, cultura, tradição – QUALIDADE DE VIDA!

Quarta-feira, 8 de Junho de 2011

“Passos e Portas têm condições para atrair os melhores”



A afirmação é do historiador Rui Ramos (Económico, 07 de Junho de 2011), apontado como putativo Ministro da Educação. A ser verdade, terá sido convidado e já se está a auto-avaliar? Estou a brincar! Mas, a brincar é que, por vezes, se dizem as verdades.

Agora, a sério! Não tenho dúvidas de que «Portas e Passos têm condições para atrair os melhores». A permuta das posições dos nomes na frase foi intencional. Pensem o que quiserem…

Faço votos para que se dê posse a um elenco governativo formado pelos melhores e não por aqueles que, não raras vezes, apenas porque têm um cartão da cor certa são promovidos e designados para cargos para os quais não possuem quaisquer competências.

O país não aguenta mais erros de casting. O tempo do experimentalismo findou! «Portugal não pode falhar!» advertiu Durão Barroso, Presidente da Comissão Europeia (Económico, 08 de Junho de 2011).

Faço votos para que as palavras de D. Francisco Manuel de Melo (1721) não se tornem actuais, passo a citar: «Lástima é que para escolher um melão se façam mais provas e diligências da sua bondade que para um conselheiro e para um ministro» [1]


[1] Nota: esta referência é feita no livro Portugal: ensaio contra a autoflagelação de Boaventura Sousa Santos, p. 29.

Quinta-feira, 2 de Junho de 2011

Não à «berlusconização» da política portuguesa

Muitos são aqueles que já não acreditam nos políticos…

Muitos são aqueles que já nem sequer votam…

Muitos são aqueles que não acreditam num futuro melhor…

O afastamento das pessoas em relação à vida política é algo que nos deve preocupar a todos. O movimento da Geração à Rasca parece ter sido rapidamente ignorado o que me parece errado. A democracia constrói-se com e para as pessoas. O afastamento de parte substancial da população deve ser interpretado como um sinal de alarme. Atentemos nas palavras de D. José Policarpo que denotou preocupação devido à «alergia que está aí a nascer, dos portugueses em relação aos partidos» (Jornal Económico, 21 de Abril de 2011».

A descrença parece «abocanhar» um número cada vez maior de cidadãos. A politóloga Marina Costa Lobo considera que «os partidos estão a definhar» (Expresso, 16 de Abril de 2011, p. 08).

Não podemos correr o risco de enveredarmos por um caminho sem retorno, alicerçado na «berlusconização» da política portuguesa. Não podemos continuar a eleger ou a nomear pessoas sem quaisquer critérios, sem experiência ou currículo adequados ao desempenho das funções atribuídas. A posse de um cartão partidário não pode ser sinónimo de via verde ou chip na matrícula. O clientelismo e o caciquismo têm de ser combatidos com todas as forças. A meritocracia tem que vingar na sociedade portuguesa, pois só com uma cultura do mérito será possível traçar uma rota de sucesso para o futuro dos portugueses.

SNS - O «PAI» ESTÁ PREOCUPADO


O «pai» do Serviço Nacional de Saúde (SNS), António Arnaut, participou, na qualidade de orador, em mais uma iniciativa do Clube Novos Horizontes.  
Não consegue conceber a existência de saúde para ricos e para pobres e alertou para a existência de haver quem queira acabar com o SNS, considerando-o como uma conquista civilizacional.
Ultimamente, têm vindo à tona ideias contraditórias quanto ao rumo a dar ao SNS. PS e PSD parecem ter estratégias bem distintas. Se Arnaut se referia ao PSD quando afirmou que há quem queira «desmantelar» o actual SNS, não deixou também de referir que o PS tem contribuído para a sua descaracterização, considerando que as parcerias público-privadas foram um «descalabro».   
Certo, certo é que nem um nem outro partido tem dado a devida relevância ao tema. Certo, certo é que, hoje, a saúde em Portugal sai muito cara aos contribuintes. Para piorar a situação, ao dispêndio não correspondem serviços de qualidade e de reconhecida eficiência. Quando temos médicos a darem consultas privadas dentro dos hospitais públicos, penso que está tudo dito. Quando temos os nossos jovens a formarem-se no estrangeiro, preenchendo, em países como Espanha e Republica Checa, as vagas dos cursos de medicina e simultaneamente «importamos» médicos estrangeiros…Há algo que vai mal neste reino de Portugal!