“De então para cá, em Portugal, como noutros países europeus, o que sucedeu foram reformas avulsas, sem objectivos claramente definidos e devidamente contextualizados, elaboradas de costas voltadas para os agentes educativos, que se sentiram (sentem!) ultrapassados, desrespeitados e injustiçados.” (Manuela Silva, Membro da comissão permanente da rede Economia com futuro, IN Público, 17 de Junho de 2011)
A Dr.ª Manuela Silva diz-nos que desde o Relatório Jacques Delors: «Educação: um tesouro a descobrir», datado de 1996, a educação tem vindo a seguir caminhos tortuosos, ziguezagueantes. A sensação com fico, muito sinceramente, é que os sucessivos timoneiros do Ministério da Educação navegaram sempre à vista, sem que possuíssem rotas antecipadamente definidos nem destinos pré-estabelecidos. No fundo, a direcção tem sido tomada em função dos ventos e das marés.
Não há tempo para mais experiências. Os nossos alunos e os professores não podem continuar a ser cobaias de experiencias, mais ou menos felizes, dos sucessivos ministros da educação. Importa diagnosticar, reflectir, decidir e executar com assertividade. O novo timoneiro, não sendo a minha escolha preferencial (não escondo, porque sempre o elogiei, que o meu favorito seria Santana Castilho por tudo o que representa), acredito que está em condições de fazer um bom e indispensável trabalho. Estou certo que não esquecerá os professores e apostará na sua promoção enquanto profissionais de excelência e «actores principais» na construção de um novo Portugal.
Dr. Nuno Crato não se esqueça, nem por um nanosegundo, que todas e quaisquer reformas / alterações devem ser conduzidas com os professores e não contra estes. Desejo também que, de uma vez por todas, os sindicatos cumpram a sua principal tarefa - contribuir para a melhoria da educação – e deixem de ser apenas e só focos de pressão e agentes contestatários.