Segunda-feira, 25 de Julho de 2011

Educação: urge a cultura de exigência

O ministro da educação, Nuno Crato, implementou, no pouco tempo que teve, algumas medidas essenciais, das quais destaco três: introdução dos exames de no final do segundo ciclo de estudos, ou seja no 6.º ano; aumento da carga horária atribuída à Língua Portuguesa e à Matemática. Não querendo negligenciar totalmente o trabalho executado nas aulas de Área de Projecto ou no Estudo Acompanhado, parece-me que não representariam, regra geral, uma mais-valia para a melhoria do ensino e aprendizagem. Portanto, a sua substituição impunha-se.

No entanto, deixo aqui um alerta, embora o senhor ministro não careça dele, estas e outras medidas que possam vir a ser implementadas só vingarão e darão um contributo decisivo para a melhoria da educação, no nosso país, se o actual paradigma de negligência, facilitismo, instabilidade, indisciplina, excesso de burocracia e multiplicação de legislação avulsa der lugar a uma cultura de exigência, a autoridade seja devolvida aos professores, seja estancada a hemorragia legislativa que inunda as escolas, a qualificação dos professores melhorar e que estes passem a ser respeitados pela comunidade.

Importa relevar convenientemente a importância do 1.º ciclo, ciclo este, não raras vezes, menorizado e olhado com desconfiança pelos professores dos ciclos seguintes. É neste ciclo que se criam os alicerces do edifício, as bases que as crianças adquirem (ou não) nesta fase serão determinantes para o todo o seu percurso formativo. Uma vez mais, aqui fica um alerta: as Actividades de Enriquecimento Curricular carecem de reformulação. Estas actividades que poderiam ser dínamos catalisadores de novas aprendizagens, por vezes, reduzem-se a mero «passa tempo». Urge desmontar a pedagogia do lúdico e implementar a da disciplina e exigência, sob pena de toda e qualquer iniciativa ser defraudada, muitas vezes, fruto de paradigmas erróneos.

Amy Winhouse - A rapariga que fugia da fama que disse não à vida

Amy Winehouse juntou-se ao grupo de Brian Jones, Jimi Hendrix, Jim Morrinson, Janes Joplin e Kurt Cobain na galeria dos artistas que viram as suas vidas terminarem aos 27 anos. Todos os nomes elencados tinham como características comuns o potencial artístico e a adopção de estilos de vida de alto risco, muitas vezes associadas ao consumo de drogas e álcool.

Na capa do jornal Público (24 de Julho de 2011) pode ler-se nas parangonas: «A vida disse “não” à rapariga que fugia da fama». No interior do jornal, Miguel Esteves Cardoso (MEC), na sua crónica diária que intitulou «Que pena» disse o seguinte: «Amy Winhouse valeu a vida e ficou a perder com a vida que nos deu. Obrigados, Amy Winhouse: deste tudo e não custaste nada.»

Gosto da música que produziu e da sua voz única, poderosa e que não deixava ninguém indiferente. Todavia, não posso concordar com o título do Público porque, na minha opinião, foi a rapariga que fugia da fama que disse não à vida, não devemos esquecer-nos do seu grande sucesso «i said no no no…» do albúm Back to Black.

Outro facto que me faz alguma espécie é o endeusamento dos artistas. A sensação que dá é que tudo o que fez, todo o seu trajecto foi perfeito, mas não foi. Amy, como eu, como o leitor, como os meus amigos, como todas as pessoas de que gosto teve um lado positivo e um negativo. Neste sentido, não posso concordar, também, com MEC porque, se eventualmente deu tudo, também custou bastante aos seus familiares e amigos e os exemplos que terá dada aos fãs talvez não sejam de elogiar.

Contudo, aqui fica plasmado o meu pesar pela morte precoce de um talento em potência que deu bastante, mas poderia dar muito mais.

Domingo, 24 de Julho de 2011

Não há alvos improváveis!


O atentado que matou noventa e duas pessoas na Noruega é algo que, além da brutalidade das mortes, desencadeará um novo debate, na Europa, em torno do aumento da necessidade de implementação de mais mediadas securitárias.
Segundo informação do Diário de Notícias: «O suspeito dos atentados na Noruega, Anders Behring Breivik, reconheceu os actos que lhe são imputados, declarou hoje o seu advogado à televisão norueguesa NRK, precisando que o seu cliente caracteriza o gesto de "cruel" mas necessário.»
Independentemente das motivações que o levaram a executar o acto bárbaro, o significado deste acontecimento é exactamente o oposto da ideia de que «a Noruega é um alvo improvável para um ataque terrorista.» (Editorial do jornal Público, 23 de Julho de 2011).
Não há alvos improváveis! Esta conclusão gera o medo e a desconfiança no seio das populações.

Quinta-feira, 21 de Julho de 2011

Santana Castilho exagerou

Sou, como bem sabem, admirador confesso do professor Santana Castilho de já longa data.

Hoje, nas páginas do jornal Público (p. 37), fez um ataque cerrado ao governo na generalidade e ao Ministro da Educação, Nuno Crato, na especialidade. Advogou o seguinte: “Matando com ferro, com ferro começou a morrer (referindo-se a Crato) no quadro desta pífia adaptação curricular do ensino básico, a que procedeu de forma monolítica.”

Também eu tinha esperança de que fossem introduzidas mais medidas de fundo e se alterasse o actual estado de coisas que não permite a melhoria da qualidade do ensino em Portugal. Todavia, penso que critica é injusta e peca pela demasiada precocidade. Não houve tempo para estudar a fundo os dossiês e poder, acredito que tenha vontade, colocar em prática as suas ideias. Há que dar o benefício da dúvida e deixar as pessoas, conjuntamente com as suas equipas, trabalharem e, a seu tempo, avaliar os resultados das práticas, das medidas defendidas e executadas.

Terça-feira, 19 de Julho de 2011

Não há limites para alcançar o sucesso?


“Durante nove anos, desde os 15 de idade, viveu longe da família, internada num centro para atletas de alto rendimento.” (24.06.2011, Público On-line)

Vanessa Fernandes, atleta a quem estas palavras se referem, é apenas uma dos muitos atletas de alto rendimento que, desde cedo, abandonam a vida familiar para se dedicarem, quase em exclusividade, à alta competição desportiva. Cristiano Ronaldo ou Figo são outros exemplos de sucesso de que agora me lembro. O sucesso, em regra, requer muita disciplina e inesgotável espírito de sacrifício, não só nesta área. O problema reside sempre na noção (ou falta dela) dos limites. Creio que, em determinada altura, não deve, na cabeça destes atletas de elite, sequer roçar quaisquer pensamentos de já ter atingido o limite das suas forças físicas e psíquicas. Há sucesso, mas também insucesso. E há sucesso que, por vezes, desencadeia o insucesso ou até mesmo o descalabro pessoal. Veja-se o que aconteceu a Vanessa Fernandes, “a própria Federação de Triatlo detectou-lhe um problema psíquico de tipo compulsivo, que se não era provocado pela prática desportiva, era pelo menos potenciado por esta.” O que fez? Continuou a treinar obstinadamente, tendo sempre presente a meta, os objectivos, os troféus… Hoje, infelizmente, esta atleta de excepção está internada numa clínica, mas note-se: “treina intensamente para os Jogos Olímpicos.” Quando li a reportagem / investigação efectuada por Paulo Moura nas páginas da Pública senti-me indignado pela falta de senso e de noção dos limites. Hoje, ao ler o título “Ex-campeão chinês é mendigo em Pequim” (Público, p.34), bem como o corpo da notícia, recordei a Vanessa. Zhang Shangwu, ginasta, começou a treinar aos 5 anos e chegou a ganhar duas medalhas de ouro nas Universíadas de Pequim. Mas, o sucesso, aparentemente efémero foi sincopado com uma lesão que lhe afectou o tendão de Aquiles. Depois disso já foi preso por roubo e foi identificado a mendigar no metro e a fazer acrobacias, além de ter vendido as referidas medalhas. Na China este episódio lançou o debate sobre a vida dos atletas, treinados desde crianças. Em Portugal este debate urge, talvez as federações das várias modalidades pudessem dar um contributo e pedir auxílio à tutela. São putativos ou mesmo campeões, mas mais do que isso são seres humanos que devem ser devidamente acompanhados e apoiados.

Domingo, 17 de Julho de 2011

Assis VS Seguro


Gostei do debate entre os dois putativos líderes do Partido Socialista. Gostei porque não houve surpresas, ou seja, não tivemos que, após o debate, ficar a «matutar» nas ideias arrojadas que os candidatos pudessem ter apresentado para o futuro do país. Gostei também porque foi possível perceber, naqueles dois candidatos, que estavam ali apenas para se «combaterem» um ao outro, como se de um combate de boxe se tratasse. Como não gosto de violência, é sempre interessante assistir a um mano a mano, em directo, sem agressão física, apenas verbal. E, neste capítulo, houve alguma irritabilidade de ambos os lados que chegaram mesmo a ameaçar a entrada no argumento da «baixa política». Foi light, como se estivéssemos a assistir ao Preço Certo ou ao Quem Quer Ser Milionário. Um fait divers, um programa de entretenimento. Debate de ideias? Nem pensar, uma dupla nulidade. Não consegui registar no caderno, que normalmente tenho à mão de semear, uma novidade de relevo para o nosso país.

O Partido Socialista está, e isso é mau para o país, mergulhado numa confusão ideológica que está a asfixiar, não permitindo um verdadeiro debate de ideias e, muito menos, uma análise do passado recente. Não foi tecido um comentário à governação de Sócrates, nem à sua liderança no partido. Quem não analisa o passado, dificilmente compreende o presente e não será capaz de projectar o futuro.

Quarta-feira, 13 de Julho de 2011

NUCLEAR É PARA EXTERMINAR!


Dava um slogan: «Nuclear é para exterminar!»
Depois desta dica, há uma evidência, ou seja, a Alemanha está a mudar e a reajustar a sua estratégia, no que concerne à produção de energia.
Há muito tempo que alguns movimentos cívicos e o partido dos Verdes reclamavam pelo encerramento das centrais nucleares.
Sem certezas, mas alguma segurança, poder-se-á afirmar que a destruição da central nuclear de Fukushima, no Japão, em resultado do Tsunami terá funcionado como efeito dominó. As vozes que se iam fazendo ouvir, empurradas por este trágico acontecimento, subiram de tom e a Alemanha, um potentado industrial, vai encerrar 17 reactores no país. A aposta terá agora que passar pelas energias renováveis, criar e melhorar a tecnologia, potenciar a eficiência energética e recorrer ao carvão e gás natural.
Estas alterações poderão repercutir-se na factura dos cidadãos, mas certamente compensará a diminuição do risco que estas acarretam.

Terça-feira, 12 de Julho de 2011

Corrida às urgências


De acordo com os dados plasmados no estudo do Healt Care Consumers Global Report 2011, os portugueses são dos que mais recorrem aos serviços de urgências hospitalares. “Quase metade (48 por cento) dos 1000 portugueses inquiridos recorreram a estes serviços no último ano.” (Público, p. 6, 11 de Julho de 2011).

Apenas 13 % afirmam estar satisfeitos. Portanto, a esmagadora maioria dos portugueses não está satisfeita com a resposta dada pelo tão badalado Serviço Nacional de Saúde (SNS), salientando como principal aspecto negativo o tempo de espera.

Não sendo, certamente, a única explicação, creio que serão várias variáveis, entendo que um dos factores que leva à corrida às urgências é a falta de resposta dos outros serviços, desde os médicos de família até aos centros de saúde. A incapacidade e insuficiência do sistema leva a que muitos portugueses procurem ajuda nas urgências hospitalares, mesmo quando os seus problemas não se revestem de um carácter de urgência. Todavia, só o facto de se saber que será atendido e que se tiver que fazer exames poderá realizá-los no hospital leva a que muitos pacientes não pensem duas vezes quanto ao serviço a recorrer.

Neste sentido, cingindo-me apenas a esta variável, não posso deixar de expressar a minha discordância quando algumas vozes doutas, talvez porque recorrer a serviços de saúde privados, afirmam convictamente que o nosso SNS é de qualidade. Em termos comparativos, dependendo dos países em comparação, até acredito que possa ser visto positivamente. Mas basta conhecer um pouco de outros sistemas de saúde, por exemplo o alemão, para percebermos onde nos situamos quando de cuidados de saúde falamos.

Se tiver dúvidas, fale com quem já precisou de recorrer aos serviços de saúde, para o próprio ou para familiares e amigos, que certamente concordarão com o que verto nestas linhas. Nunca olvidando que não há regra sem excepção. Esta será mais uma bandeira do novo governo: a optimização dos cuidados de saúde prestados aos portugueses que deles necessitam.

Segunda-feira, 4 de Julho de 2011

A sopa da classe média

A classe média é, como advoga Elísio Estanque, no jornal Público (03 de Julho de 2011, p. 54), «internamente diversificada, complexa, instável e cada vez mais segmentada.». São muitas e diferenciadas as famílias portuguesas que poderão ser enquadradas neste chavão algo impreciso.

O sociólogo do Cento de Estudos Sociais, da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, conclui, no último parágrafo da TRIBUNA – OS DILEMAS DA CLASSE MÉDIA que «a classe média é um “campo” muito vasto e dividido que tanto pode reforçar o sistema como fazer-lhe frente. (…) tanto pode dar lugar a movimentos de cariz corporativista como suscitar novos radicalismos e formas de rebelião social.»

Este «segmento» populacional tem que merecer uma atenção redobrada por parte do novo governo. Paralelamente aos «pobres», crescem os «novos pobres», isto é, gente que de um momento para o outro se viu a braços com uma situação sufocante. A perda de emprego de um dos cônjuges ou de ambos leva a um efeito de dominó praticamente suicidário para as famílias que estão endividadas até ao «tutano» e sentem, a cada dia, o garrote a apertar-se dificultando-lhes a rotina familiar. A pobreza envergonhada não é um fenómeno novo, mas tem vindo a agravar-se em resultado da crise e da recessão económica que flagela a economia do nosso país. Tornam-se comuns desabafos como «Comemos muita sopa e, quando dá, sopa e uma bifana ou sopa e umas sandes” (Público, 03 de Julho, p. 8).

Pedro Mota Soares, Ministro da Solidariedade e da Segurança Social, tem uma tarefa hercúlea pela frente. Acredito no seu valor, na qualidade do seu trabalho e na seriedade que colocará em todas as decisões. Consciente de que a gestão dos dinheiros tem que, imperativamente, ser rigorosa, já começou por tomar uma medida que merece o meu aplauso: não nomeou 18 directores adjuntos de Segurança Social ("As verbas da solidariedade têm de ser bem gastas e é tarefa do Estado cortar no acessório para dar mais a quem é mais pobre"). Merece igualmente o meu elogio a defesa que faz do reforço das parcerias com as Instituições de Solidariedade Social porque são estas que, de facto, melhor conhecem os problemas da população porque estão no terreno e desenvolvem acções de proximidade em contexto comunitário ( "O Governo tem de ter a humildade para pedir ajuda a quem está no terreno. Deve saber usar as capacidades disponíveis no País".)