O ministro da educação, Nuno Crato, implementou, no pouco tempo que teve, algumas medidas essenciais, das quais destaco três: introdução dos exames de no final do segundo ciclo de estudos, ou seja no 6.º ano; aumento da carga horária atribuída à Língua Portuguesa e à Matemática. Não querendo negligenciar totalmente o trabalho executado nas aulas de Área de Projecto ou no Estudo Acompanhado, parece-me que não representariam, regra geral, uma mais-valia para a melhoria do ensino e aprendizagem. Portanto, a sua substituição impunha-se.
No entanto, deixo aqui um alerta, embora o senhor ministro não careça dele, estas e outras medidas que possam vir a ser implementadas só vingarão e darão um contributo decisivo para a melhoria da educação, no nosso país, se o actual paradigma de negligência, facilitismo, instabilidade, indisciplina, excesso de burocracia e multiplicação de legislação avulsa der lugar a uma cultura de exigência, a autoridade seja devolvida aos professores, seja estancada a hemorragia legislativa que inunda as escolas, a qualificação dos professores melhorar e que estes passem a ser respeitados pela comunidade.
Importa relevar convenientemente a importância do 1.º ciclo, ciclo este, não raras vezes, menorizado e olhado com desconfiança pelos professores dos ciclos seguintes. É neste ciclo que se criam os alicerces do edifício, as bases que as crianças adquirem (ou não) nesta fase serão determinantes para o todo o seu percurso formativo. Uma vez mais, aqui fica um alerta: as Actividades de Enriquecimento Curricular carecem de reformulação. Estas actividades que poderiam ser dínamos catalisadores de novas aprendizagens, por vezes, reduzem-se a mero «passa tempo». Urge desmontar a pedagogia do lúdico e implementar a da disciplina e exigência, sob pena de toda e qualquer iniciativa ser defraudada, muitas vezes, fruto de paradigmas erróneos.












