Segunda-feira, 26 de Setembro de 2011

A Inadequação dos Currículos Escolares

Jurjo Torres Santomé, professor catedrático, na Universidade da Corunha, no seu livro «O Cavalo de Tróia da Cultura Escolar» (edidado pela Pedago) chama a atenção para as transformações que estão a ocorrer, a um ritmo celere, na actualidade.
Essas transformações devem levar a que Escola receba os sinais e adapte os seus currículos.
Em que medida as revoluções no conhecimento, na tecnologia, nas relações humanas e nos valores estão a ser absorvidas pelos sistemas educativos?
Na opinião de Jurjo Torres, especialista em Teoria Curricular, continua a verificar-se uma inadequação e descontextualização dos currículos em relação ao mundo real.
Penso que o mesmo se pode observar no sistema educativo português. Os currículos e os modelos de escolarização estão desajustados das dinâmicas societais contemporâneas. Urge uma reflexão atenta em torno da organização curricular, sob pena de a Escola continuar, progressivamente, a não ser de dar uma resposta cabal às novas solicitações. Lembro que a Escola já não é o principal vector de aquisição de conhecimento. As aprendizagens não formais e informais ganham cada vez mais peso na construção da identidade das crianças e jovens. 

    

Segunda-feira, 12 de Setembro de 2011

O Congresso do PS


Sei que pode considerar estranho o que vou dizer, mas vou escrever: concordo com Joana Amaral Dias, a «Ksarina» do Bloco de Esquerda.  Eis a sua afirmação: «Pouco entusiasmo se passeia em Braga. Este congresso [do PS] serve a consagração do líder e debate de ideias é mentira.» (Correio da Manhã, citado no Público).    
Quanto à consagração do líder não vou tecer considerações porque as evidências foram claras e são habituais nestes eventos partidários.
No que concerne ao debate de ideias, apetece-me dizer qualquer coisa. Ora, aqui vai! Ideias para o futuro do país, não ouvi nem uma com algum substrato que para que possa ser levada a sério. É grave! É especialmente grave quando o líder há muito tempo que se perfilava (mas não preparava) para ser líder do principal partido da oposição. Pior e mais preocupante foi a amnésia colectiva que parece ter contagiado os congressistas que subiram ao palanque para discursar. A sensação com que fiquei é que o efeito da multidão em «festa» não permitiu uma reflexão atenta daquilo que foram os últimos anos de governação do partido socialista, sob a batuta do «engenheiro» Sócrates.
Ninguém reconheceu um erro, talvez não compreendam que o erro faz parte da aprendizagem. Neste sentido, talvez tenha sido desperdiçado um bom momento para a pedagogia necessária para a definição de estratégias futuras.
Confesso, esperava um pouco mais. Mas quando o «frisson» foi uma troca de cadeiras, ou de lugares, no plateau da TVI ou a «farpa» de Manuel Alegre a Mário Soares: «Gostei mais de ver o ver aqui do que na Universidade de Verão do PSD.»… está tudo dito!   

Domingo, 11 de Setembro de 2011

FotoPres'09, Obra Social ''la Caixa''



Uma exposição que tive a oportunidade de observar, em Santiago de Compostela. É impossível ficar indiferente. São retratadas várias situações em que os rostos reflectem a violência do homem.  

Juan José de Haro: redes sociales...

Endividamento na Constituição


Muitas são as vozes que se erguem contra a alteração à constituição. São invocados motivos como a aceitação da incapacidade dos políticos para a governação, as limitações que seriam impostas aos governos em termos de política fiscal, a afectação do Estado de Bem-estar mediante «machadadas» em áreas sensíveis como a saúde, as pensões, a educação…
Juergen Donges, economista hipano-alemão, é muito claro, em entrevista ao El País: “Os Governos não ficam atados. Só têm que estabelecer prioridades nas despesas. Se um governo quer muita política social pode fazê-la, mas terá que reconsiderar outras alternativas e cortar aí nas despesas, por exemplo, em matéria de defesa.”  
Ora muito bem, parece-me que governar é tomar opções, decidir. Neste sentido, o orçamento, maior ou menor, deve ser algo real e não uma utopia. É com base no que temos, não no que julgamos ou que queremos ter, que a governação deve enquadrar as suas políticas.